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Gabão a ferro e fogo. Violência pós-eleitoral faz dois mortos e 19 feridos

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Apoiantes do candidato derrotado Jean Ping acusam o Presidente reeleito, Ali Bongo, de fraude. Esta madrugada, as forças de segurança do país invadiram a sede de Ping na capital, Libreville, no que o Governo diz ser uma operação para acabar com "criminosos armados"

As forças de segurança do Gabão invadiram na madrugada desta quinta-feira a sede do candidato presidencial derrotado nas eleições de sábado, Jean Ping, após ter sido anunciada a vitória renhida do Presidente no poder, Ali Bongo, na quarta-feira.

Ping, que não estava na sede de campanha à hora do ataque, diz que duas pessoas morreram e pelo menos 19 ficaram feridas. "Eles atacaram por volta da 1h da manhã. Eram da Guarda Republicana. Estavam a bombardear-nos com helicópteros e depois atacaram no terreno. Dezanove pessoas ficaram feridas, algumas em estado muito grave."

Zacharie Myboto, pelo contrário, estava no edifício à hora do ataque e descreveu como as forças de segurança usaram gás lacrimogéneo para cegarem os presentes antes de abrirem fogo. "Durante quase uma hora o edifício esteve cercado. E agora eles querem entrar aqui, isto é extremamente violento", disse o presidente do partido da oposição União Nacional, pouco depois do início do cerco.

O Governo diz que a operação teve como objetivo acabar com os "criminosos armados" que, segundo a polícia, pegaram fogo ao parlamento na quarta-feira, assim que os resultados das eleições de sábado foram anunciados. "Pessoas armadas que pegaram fogo ao parlamento estavam reunidas na sede de Jean Ping juntamente com centenas de ladrões e bandidos, não eram manifestantes políticos mas sim criminosos", garantiu Alain-Claude Bilie-By-Nze.

A presença do exército e da polícia nas ruas de Libreville tem estado a intensificar-se, com o acesso à internet cortado e testemunhas no terreno a dizerem que o ambiente na capital é de grande tensão, com os apoiantes da oposição a acusarem Bongo de fraude eleitoral. "Já dissemos que as pessoas do Gabão estão em perigo", sublinhou ontem Ping, diplomata veterano e ex-oficial da União Africana. "Eles [da comunidade internacional] deviam vir e ajudar-nos contra o clã [de Bongo]."

Os resultados das presidenciais, anunciados ontem, dão a Bongo um segundo mandato consecutivo, firmando quase cinco décadas de poderio da sua família no Gabão. Contra os 49,8% de votos para Bongo, Ping terá angariado 48,23%, separando-os apenas uma mera margem de menos de seis mil votos. Os resultados continuam a ser classificados de "provisórios" até que o tribunal constitucional os valide.

A oposição está a exigir que os resultados de cada estação de voto do país sejam tornados píublicos para assegurar a credibilidade do plebiscito, um pedido que foi repetido pelos Estados Unidos e a União Europeia. De acordo com observadores eleitorais europeus, a ida às urnas foi gerida "de uma forma em que faltou a transparência". Os delegados da oposição que integram a comissão eleitoral já prometeram bater-se pela recontagem dos votos.