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Envergonhado por Peña Nieto, Trump garante que México vai pagar muro “a 100%”

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YURI CORTEZ

“No primeiro dia iremos começar a trabalhar num muro impenetrável, físico, alto, poderoso e lindo na fronteira do sul [dos EUA]”, declarou o candidato republicano no seu antecipado discurso sobre imigração

A maioria não antecipava a viagem de quarta-feira do candidato presidencial republicano ao México para se encontrar com o Presidente daquele país, Enrique Peña Nieto. O anúncio do encontro foi feito quarta-feira de manhã, horas antes da partida de Donald Trump e do um antecipado discurso sobre "imigração ilegal" em Phoenix, no estado do Arizona.

Assim que foi sabido que Trump ia ao país vizinho discutir com um dos líderes políticos com quem mais acusações e insultos tem trocado ao longo da campanha, antecipou-se, isso sim, que seriam poucos ou nenhuns os pontos de vista partilhados entre ambos. Essa parte ficou confirmada, mas não sem uma controvérsia de bolso que vem engrossar a lista de gaffes e percalços do aspirante à Casa Branca.

Com a ajuda de uma tradutora, Trump ouviu o Presidente mexicano dizer na conferência de imprensa na Cidade do México que deixou claro ao candidato republicano que não serão os contribuintes do país a pagar pelo muro que o magnata populista pretende erguer na fronteira EUA-México caso seja eleito em novembro.

Trump garante que não discutiu com Peña Nieto qualquer questão sobre quem vai pagar o quê. “Não discutimos o pagamento do muro, isso fica para uma data mais à frente”, garantiu. Peña Nieto, por sua vez, reforçou a ideia no Twitter: “No início da conversa com Donald Trump, deixei claro que o México não vai pagar pelo muro”.

Deitando água na fervura, fonte da campanha do norte-americano citada pelo “The Guardian” disse que o encontro de quarta-feira entre ambos “foi a primeira parte da discussão, a base para construir uma relação entre Trump e o Presidente Peña Nieto. Não foi uma negociação, isso teria sido inapropriado”.

Horas depois, já aterrado em Phoenix, Trump pareceu vingar-se do que muitos latino-americanos dos EUA classificaram nas redes sociais de “encontro entre duas das pessoas mais desprezadas e odiadas por milhões de mexicanos nos dois lados da fronteira” — declarando aos seus apoiantes que o México vai pagar o muro “a 100%” e voltando a surpreender todos os que antecipavam um amenizar da sua retórica anti-imigração no antecipado discurso que prometera sobre o assunto para quarta-feira à noite.

“Os ataques a imigrantes ilegais têm sido centrais para a campanha de Donald Trump e fulcrais para a sua popularidade junto de uma parte do público americano, mas o republicano está atrás de Hillary Clinton nas sondagens e precisa de maior apoio das minorias, incluindo dos 55 milhões de hispânicos do país, se quer ter uma hipótese de vencer”, explicou o correspondente da BBC logo após o discurso de Trump. “Durante um curto período de tempo, este problema pareceu explicar a sua viagem à Cidade do México para se encontrar com o Presidente e pregar a amizade. Mas o abrandamento de Donald Trump não durou muito e assim que chegou a Phoenix a sua retórica já tinha endurecido drasticamente.”

Para gáudio da massa de gente concentrada naquela cidade do Arizona para o apoiar, Trump prometeu deportar dois milhões de “estrangeiros criminosos” na primeira hora após ser eleito, avisando que mais milhões serão “sujeitos a deportações” ao longo do seu potencial mandato e voltando à sua promessa-base: o muro. “No primeiro dia iremos começar a trabalhar num muro impenetrável, físico, alto, poderoso e lindo na fronteira do sul. E o México vai pagar a 100%.”

Sobre a ideia de “veto extremo” aos novos imigrantes nos EUA, Trump explicou que estes serão sujeitos a testes ideológicos no processo de candidatura a vistos. “Os candidatos serão questionados sobre os seus pontos de vista quanto a crimes de honra, ao respeito pelas mulheres e pelos gays e pelas minorias e sobre as suas atitudes face ao islão radical.”