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Michel Temer, o líder conservador levado ao poder pela destituição de Dilma Rousseff

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Cadu Gomes/ EPA

É o mais velho Presidente que o Brasil já teve e é o segundo a chegar ao cargo sem a eleição por voto popular

O político conservador Michel Temer, 75 anos, foi esta quarta-feira empossado como Presidente do Brasil pelo Senado (câmara alta parlamentar), depois de Dilma Rousseff ter sido destituída do cargo.

Político de longa carreira, Michel Temer tornou-se o segundo Presidente a chegar ao poder sem ser eleito por voto popular após a redemocratização do Brasil na década de 1980.

A subida ao poder de Michel Temer, que era vice-presidente do governo de Dilma Rousseff, acontece numa reviravolta política desencadeada por uma das maiores crises económicas e institucionais do Brasil, agravada este ano com denúncias de corrupção contra empresários e políticos brasileiros, muitos destes membros do Governo anterior do Partido dos Trabalhadores (PT).

Michel Temer ocupava interinamente a Presidência do Brasil desde o passado dia 12 de maio, quando Dilma Rousseff foi suspensa no decurso do processo de destituição que culminou hoje com o seu afastamento.

Em poucos mais de 100 dias de governo interino, Michel Temer anunciou que sua prioridade é recuperar a economia brasileira introduzindo reformas na regulação dos gastos públicos e no sistema de aposentações.

O novo Presidente brasileiro é considerado um homem com orientações políticas conservadoras e hábil articulador político.

Eleito vice-presidente pela segunda vez na candidatura de Dilma Rousseff em 2014, Michel Temer sinalizou em 2015 a sua rutura com o programa da então Presidente quando enviou uma carta a Dilma Rousseff na qual se autodenominava um "vice decorativo" e dizia que nunca teve poder para atuar, nem a confiança dos membros do Governo.

O conteúdo da carta espalhou-se rapidamente e foi um passo decisivo para a rutura política que seria confirmada em março pelo Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), que Temer lidera.

Em poucos meses, Michel Temer ganhou visibilidade, conquistou o apoio a maioria os membros do PMDB, de políticos de outros partidos, de empresários e de parte da população que embora não o apoie diretamente, considera-o uma alternativa credível ao PT.

Filho de libaneses que emigraram para o Brasil na década de 1920, Michel Temer foi criado na cidade de Tiete, interior do Estado de São Paulo. Terminou os estudos secundários em São Paulo, onde também se formou na Faculdade de Direito do Largo São Francisco.

Manifestou interesse na política ainda na faculdade, mas manteve-se afastado durante o governo militar adotando uma postura neutra e dedicando seu tempo aos trabalhos de advogado, professor universitário e escritor.

Filiou-se no PMDB em 1981 e entrou efetivamente para a vida pública quando se tornou chefe da Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo em 1983, assumindo posteriormente a Secretaria de Segurança Pública do Estado.

Disputou a primeira eleição em 1986, quando se candidatou ao cargo de deputado federal constituinte, ocupando a posição de suplente, mas ocupando o lugar durante os trabalhos que aprovaram a Constituição do Brasil em 1988, em vigor até hoje.

A sua ascensão consolidou-se em 1994, quando foi escolhido para líder do PMDB na Câmara dos Deputados, a câmara baixa do parlamento.

Com o apoio do ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso, tornou-se também presidente da Câmara dos Deputados, cargo que ocupou por três vezes.

Em 2001, Michel Temer foi eleito Presidente Nacional do PMDB, mantendo as funções até março deste ano, e levou o partido para a base de apoio do Governo PT no segundo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva.

Na sua longa trajetória política Michel Temer não evitou ver-se envolvido em denúncias de corrupção.

Investigações feitas pela Polícia Federal em 2009 encontraram o seu nome citado em documentos da empreiteira Camargo Corrêa como suposto favorecido de transferências irregulares.

Em 2014, a Operação Lava Jato, que investiga esquemas de corrupção na petrolífera Petrobras, descobriu novos documentos que também apontavam para Temer como beneficiário de transferências de dinheiro cuja origem ainda não foi esclarecida.

O político também foi citado em delações premiadas (colaboração com a Justiça em troca de reduções de pena) de vários empreiteiros e do ex-senador Delcídio do Amaral.

No início de maio, Michel Temer foi condenado pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo que o considerou inelegível pelos próximos oito anos por ter feito contribuições para campanhas eleitorais de aliados acima do teto estabelecido pela lei.

Esta decisão não o impede, no entanto, de assumir a Presidência do Brasil.
Empossado hoje em Brasília como chefe de Estado, Michel Temer vai permanecer no cargo até 31 de dezembro de 2018.