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Internacional

“Forte sinal” de estrela relativamente próxima da Terra alimenta especulação sobre vida alienígena

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"Num lugar tão grande como o cosmos, só temos de olhar para nós próprios para provarmos que coisas extremamente improváveis podem acontecer e acontecem constantemente"

Stuart C. Wilson

Cientistas dedicados à busca por vida extraterrestre vão estudar a HD 164595, uma estrela em parte semelhante ao sol que fica a 94 anos-luz da Terra e cujo sinal é “intrigante”

A equipa de astrónomos do Instituto SETI, que tem a seu cargo a missão de procurar inteligência extraterrestre, começou a testar os seus instrumentos de investigação numa estrela localizada a cerca de 94 anos-luz da Terra, a HD 164595, bastante semelhante ao Sol, após um telescópio russo ter detetado um "forte sinal" emitido por esse corpo.

Os investigadores começaram esta semana a analisar o sinal de rádio da estrela, em parte semelhante à estrela KIC 8462852 que foi detetada pelo SETI em outubro do ano passado. "O sinal da HD 164595 é intrigante porque tem origem nas imediações de uma estrela como o sol e, se for artificial, a sua força é grande o suficiente para provar que foi claramente construída por uma civilização com capacidades que vão para lá daquelas que a humanidade detém", disse à CNN o astrónomo Douglas Vakoch, presidente da METI Internacional, igualmente concentrada na busca por vida alienígena.

Sempre que um sinal forte é detetado no Espaço, acrescenta o astrónomo italiano Claudio Maccone ao mesmo canal, "existe uma boa possibilidade de alguma civilização próxima ser detetada". Num comunicado divulgado na terça-feira, Seth Shostak, astrónomo do Instituto SETI, disse que "é difícil entender porque é que alguém quereria atingir o nosso sistema solar com um sinal tão forte". Este sistema estelar, acrescenta o especialista, "está tão distante que eles ainda não terão captado qualquer radar ou sinal de televisão que lhes pudesse dizer que estamos aqui."

Apesar do otimismo, os especialistas admitem ser improvável que o sinal detetado pelo telescópio russo seja uma mensagem transmitida por seres alienígenas. "Sem corroboração de um observatório independente, um sinal putativo de extraterrestres não tem muita credibilidade", diz Vakoch, acrescentando que a METI vai agora observar a estrela a partir do Observatório SETI Boquete Optical no Panamá, "em busca de quaisquer breves pulsares de laser que possam ser enviados" na direção da Terra e que funcionem como "um farol de extraterrestres avançados".

Paul Gilster, da Fundação Tau Zero, dedicada à investigação interestelar, também defende que se o sinal for artificial, a sua força sugere que pode advir de uma civilização muito mais avançada que a nossa — correspondendo ao tipo II da escala Kardashev, uma tentativa do astrónomo russo com o mesmo nome de categorizar os vários níveis tecnológicos de civilizações.

"A escala Kardashev tem por base, acima de tudo, a energia que uma civilização consegue canalizar para seu próprio uso", explica Maccone. Atualmente, a espécie humana situa-se perto do tipo I da escala Kardashev, segundo o qual uma civilização é capaz de recolher toda a energia disponível dentro e ao redor do seu próprio planeta, incluindo solar, eólica, de sismos e outros combustíveis. Uma civilização de tipo II é capaz de reunir toda a energia emitida pela estrela à volta da qual orbita, correspondente a milhares de milhões de milhares de milhões de watts.

Para o conseguir, a espécie responsável teria de construir alguma espécie de superestrutura, como uma esfera gigante ou paineis solares super avançados como aqueles que foram popularizados pelo astrónomo Freeman Dyson para captar e armazenar toda a radiação do sol. Os cientistas acreditam que estas superestruturas são a melhor hipótese de detetar civilizações alienígenas, à exceção de tentativas ativas e diretas de contacto com a Terra.