Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Dissidentes chineses pedem a Obama que pressione Xi Jinping na cimeira do G20

  • 333

O Presidente chinês, Xi Jinping, é um dos vários citados nos documentos da Mossack Fonseca já escrutinados

KHALED ELFIQI / EPA

Ativistas querem que o Presidente norte-americano aproveite a última visita oficial à Ásia para discursar publicamente contra a “pior onda de repressão de opositores chineses desde o massacre de Tiananmen”

Alguns dos mais famosos dissidentes do regime chinês encontraram-se na terça-feira à tarde com representantes da administração Obama na Casa Branca, para pedirem ao líder norte-americano que aproveite a cimeira do G20, que começa no próximo domingo na cidade chinesa de Hangzhou, para pressionar o homólogo chinês, Xi Jinping, sobre questões de direitos humanos.

No encontro desta terça-feira, os ativistas disseram a Susan Rice, conselheira de segurança nacional de Barack Obama, que o Presidente chinês tem sido responsável por uma crescente e dramática "ofensiva" contra opositores do Partido Comunista desde que assumiu a liderança do partido único em novembro de 2012, em preparação para a sua nomeação presidencial em março do ano seguinte.

Entre os dissidentes convidados a participar no encontro de ontem contou-se Teng Biao, um advogado de direitos humanos que vive exilado nos Estados Unidos e que explicou ao "The Guardian" que pediu ao Presidente norte-americano que use a sua plataforma pública durante a cimeira económica para exigir mais respeito pelas liberdades fundamentais na China — naquela que deverá ser a última visita oficial de Obama à Ásia, antes de ser substituído nas eleições presidenciais de novembro próximo.

"A China está a viver a pior repressão de direitos humanos da sua história desde o massacre de Tiananmen em 1989", disse Teng ao jornal britânico. "Em particular desde que Xi Jinping chegou ao poder, muitos advogados e ativistas de direitos humanos foram detidos ou desapareceram; muitas, muitas organizações não-governamentais foram encerradas; e outras organizações da sociedade civil, universidades, media, internet, igrejas católicas e outros grupos religiosos também foram alvos [da repressão]. É óbvio que o Governo chinês violou direitos humanos e que a situação atual é muito, muito preocupante."

No âmbito da cimeira do G20, que começa no domingo na capital da província de Zheijang, na China Oriental, Obama e Xi vão encontrar-se pela primeira vez no sábado para o que a Casa Branca diz ser um "encontro bilateral extensivo". Na segunda-feira, o vice-conselheiro de Obama para a segurança nacional, Ben Rhodes, sublinhou que o Presidente vai usar o tempo a sós com Xi Jinping para rever "todos os assuntos centrais da relação EUA-China nos últimos sete anos e meio", entre eles o conflito no Mar do Sul da China, questões de ciberespionagem e as "diferenças de longa data sobre os direitos humanos".

O encontro desta terça-feira com um pequeno grupo de ativistas foi proposto pela Casa Branca para "falar sobre a cimeira do G20 e sobre o que o Presidente Obama deve fazer quando estiver em Hangzhou", explicou Teng, que fugiu da China em setembro de 2014 e que desde então vive exilado com a sua família em New Jersey.

Para a reunião foram também convidados Lu Jun, ativista da sociedade civil que foi forçado a abandonar a China após as forças de segurança terem atacado a sua organização; o ativista tibetano Golog Jigme; o diretor executivo do Uyghur Human Rights Project, Alim Seytoff; e Bob Fu, ativista cristão. Segundo o "The Guardian", Zhang Qing, mulher do ativista Guo Feixong, que está em greve de fome numa prisão do sul da China há vários meses, também terá estado presente.