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Dilma vai recorrer, recorrer, recorrer. “É o segundo golpe que sofro na vida”

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FERNANDO BIZERRA JR./EPA

Senado votou, Dilma caiu. Presidente destituída diz que vai recorrer para onde e até onde for possível.“Neste momento, não direi adeus. Tenho certeza de que posso dizer até daqui a pouco”

Dilma Rousseff descreve a sua destituição como o dia em que “61 senadores substituem a vontade expressa por 54,5 milhões de votos”. Esta quarta-feira, a presidente foi afastada do cargo após o Senado ter votado a favor do impeachment. Garante que vai recorrer da decisão “em todas as instâncias possíveis”.

“O Senado Federal tomou uma decisão que entra para a história das grandes injustiças. É o segundo golpe de Estado que enfrento na vida”, disse Dilma. “O primeiro, o golpe militar, apoiado na truculência das armas, da repressão e da tortura, me atingiu quando era uma jovem militante. O segundo, o golpe parlamentar desfechado hoje por meio de uma farsa jurídica.”

Num comunicado publicado, a presidente destituída defendeu que agora o poder vai ser tomado por políticos “que buscam desesperadamente escapar do braço da Justiça” e avisa: “Isto foi apenas o começo”. Para Dilma, o alvo do “golpe” não foi ela ou o Partido Trabalhista, mas sim “qualquer organização política progressista e democrática”.

“O golpe é contra o povo e contra a Nação. O golpe é misógino. O golpe é homofóbico. O golpe é racista. É a imposição da cultura da intolerância, do preconceito, da violência”, referiu. Acrescentando que a situação coloca em causa a luta pelos direitos.

Dilma prometeu uma oposição incansável e energética ao Governo, insistindo que que não vai desistir. Referiu também que este momento ficará na história do Brasil como aquele em que o “machismo e a misoginia mostraram as suas feias faces”.

Voltou a negar todas as acusações de que é alvo. Não traiu ninguém nem cometeu qualquer crime, disse. Sai com “dignidade”. “Ouçam bem: eles pensam que nos venceram, mas estão enganados. Neste momento, não direi adeus. Tenho certeza de que posso dizer até daqui a pouco”, concluiu.

Esta quarta-feira, 61 votos (mais sete do que os 54 necessários) levaram à destituição de Dilma Rousseff do cargo de Presidente, para o qual tinha sido reeleita em outubro de 2014. Agora, é Michael Temer que nas próximas horas assume oficialmente o lugar de presidente do Brasil.