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Podemos apela ao PSOE para iniciarem negociações se Rajoy falhar investidura

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PIERRE-PHILIPPE MARCOU/AFP/GETTY

Embora admita que é “difícil” alcançar um acordo com o PSOE, Pablo Iglesias sustentou que é fundamental tentar esse cenário – caso Rajoy falhe a investidura – para evitar terceiras eleições

O partido da esquerda radical espanhola Podemos exortou esta terça-feira o Partido Socialista (PSOE) a negociar a formação de um governo de esquerda caso a investidura de Mariano Rajoy (Partido Popular, direita) seja chumbada esta semana.

O líder do Podemos, Pablo Iglesias, considerou "difícil" um acordo com o PSOE - tentado sem êxito na investidura fracassada do líder socialista, Pedro Sánchez, em março - mas afirmou que os dois partidos "estão obrigados" a negociar.

Em declarações à rádio Cadena Ser, Iglesias defendeu que é "legítimo" explorar essa via caso, como tudo indica, o candidato do partido Popular (PP) à presidência do governo espanhol, Mariano Rajoy, não conseguir os votos necessários para ser investido, tanto na votação de quarta-feira (que requer maioria absoluta) como na segunda votação, sexta-feira (maioria simples).

"Se o PSOE votar não a Rajoy, a partir do dia seguinte temos que nos por a trabalhar, porque não o fazer é apostar diretamente em terceiras eleições", salientou Iglesias. "Parece-me que será difícil, mas se votamos não a Rajoy e não apostamos em terceiras eleições, estamos obrigados a tentá-lo", reiterou.

Pablo Iglesias também insistiu - como tinha feito na investidura fracassada de Pedro Sánchez - que lhe parece "impossível" incluir o partido de centro-direita Ciudadanos numa negociação entre o PSOE e o Podemos. Para o líder do Podemos, o Ciudadanos, liderado por Albert Rivera, já admitiu que é "o cavalo de Tróia do PP".

Em março, na véspera da sessão de investidura de Pedro Sánchez, o PSOE e o Ciudadanos assinaram um acordo (semelhante ao que o Ciudadanos assinou agora com o PP). Os socialistas pretendiam na altura que o Podemos pudesse juntar-se ao acordo ou, pelo menos, viabilizar um governo de minoria abstendo-se, mas Iglesias bloqueou esse caminho, insistindo que um governo alternativo à direita teria de ser um governo de esquerdas, com PSOE, Podemos e Izquierda Unida (partido comunista).

Iglesias exigiu integrar um governo liderado pelo PSOE (incluindo também a IU) e não apenas apoiá-lo no parlamento e o acordo acabou por não se concretizar.