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Internacional

Mais de seis mil refugiados salvos ao largo da Líbia

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RICARDO GARCIA VILANOVA

Cerca de 40 missões coordenadas tiveram lugar a 20 quilómetros da costa. Resgatados são sobretudo oriundos da Eritreia e da Somália

Cerca de 6500 migrantes foram resgatados pela Guarda Costeira italiana na madrugada desta terça-feira, ao largo da costa da Líbia, numa das maiores operações desta natureza até à data e desde que a chamada crise dos refugiados atingiu o continente europeu.

Segundo fontes da Guarda Costeira, cerca de 40 missões de resgate aconteceram a 20 quilómetros da cidade costeira líbia de Sabratha. Vídeos divulgados na internet mostram vários migrantes, sobretudo da Eritreia e da Somália, a nadarem até às embarcações de salvamento, alguns carregando bebés ao colo nos pequenos botes usados para tentar a perigosa travessia do Mediterrâneo até ao território europeu.

No domingo, mais de 1100 migrantes já tinham sido resgatados na mesma área, que se tornou num ponto central da rota de dezenas de milhares de pessoas, sobretudo vindas do continente africano, que tentam alcançar a União Europeia partindo da Líbia.

As operações desta segunda-feira envolveram navios de Itália bem como da agência europeia de patrulhamento de fronteiras (Frontex) e das organizações não-governamentais Médicos Sem Fronteiros (MSF) e Proactiva Braços Abertos. A Associated Press avança que os barcos que transportavam os refugiados a partir da Líbia, e que partiram sobrecarregados, tinham combustível suficiente apenas para que conseguissem chegar aos navios das organizações e agências.

A notícia dos vários salvamentos nos últimos dias naquela zona surge depois de a chanceler alemã, Angela Merkel, ter sugerido que Bruxelas deve firmar acordos semelhantes ao alcançado com a Turquia com os países do Norte de África de onde estas pessoas desesperadas estão a partir.

No ano passado, mais de um milhão de refugiados, muitos fugidos da guerra civil na Síria, chegaram à Europa, pondo a descoberto as cisões entre os Estados-membros sobre como responder à crise humanitária, sem precedentes no continente europeu desde a II Guerra Mundial.

Na sequência das cisões entre os Estados-membros sobre o realojamento destas pessoas, a UE alcançou em março deste ano um acordo com a Turquia, criticado por várias ONG e políticos, para travar a entrada de mais gente na Europa — um que prevê que todos os que chegam à Grécia sejam enviados de volta para a Turquia, com a UE a garantir dar asilo a um sírio instalado em campos de refugiados naquele país por cada pessoa "devolvida" a Ancara.

O contestado passo ajudou a reduzir as chegadas à Grécia pela chamada rota do Mediterrâneo Oriental, mas desde o início do ano tem crescido o número de migrantes de países africanos, como a Eritreia, a Somália, a Nigéria e a Gâmbia, que partem da Líbia rumo a Itália.

Desde o início deste ano cerca de 106 mil pessoas já chegaram à UE por esta rota, com pelo menos 2726 pessoas a perderem a vida, de acordo com dados da Organização Internacional para as Migrações (OIM). Neste momento, haverá pelo menos 275 mil migrantes na Líbia à espera para partirem para a UE.