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As contas de Dilma (e há boas e más notícias para a presidente suspensa)

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Rousseff apresentou a sua defesa peranto o sendo na segunda-feira

UESLEI MARCELINO/ Reuters

Votação final para o afastamento de Dilma Rousseff só deverá acontecer esta quarta-feira. Primeiro têm de intervir os 66 senadores inscritos. Para que o afastamento da presidente aconteça, são necessários 54 votos favoráveis

Tal como tem sido hábito nos últimos tempos, uma discussão e uma votação na política brasileira não é coisa rápida. Se a sessão para a admissibilidade do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff durou quase 21 horas, a fase final do julgamento parece estar também para durar. Esta terça-feira, Dilma esteve pela segunda vez a defender-se perante o senado e a votação final só deverá acontecer esta quarta.

Segundo avança o jornal brasileiro “A Folha de São Paulo”, e são más notícias para Dilma, prevê-se que pelo menos 59 senadores votem a favor da destituição de Dilma. A confirmar-se, este é um número mais que suficiente para aprovar o impeachment e para que Michel Temer seja efetivado presidente do Brasil.

No entanto, há que lembrar que são apenas previsões e basta olhar para outro órgão de comunicação para encontrar um número diferente - são as boas notícias para a presidente suspensa. O “Estadão” escreve que 52 senadores votarão a favor da destituição. Sendo esta a realidade, então Dilma Rousseff não será afastada do cargo, uma vez que para o processo ir adiante são necessários 54 favoráveis ao impeachment.

O julgamento de Dilma Roussef, necessário para dar continuidade ao processo de impeachment, começou na passada quinta-feira com as audiências das testemunhas. Esta primeira fase foi finalizada no sábado. A presidente esteve na segunda-feira no senado a apresentar a defesa.

Para esta terça-feira está previsto um debate entre a acusação e a defesa. Só depois começam a falar os senadores inscritos. Até à publicação deste texto já eram 66, segundo “A Folha de São Paulo”. Cada um tem dez minutos para intervir. Portanto, no Brasil espera-se mais uma longa jornada de debate até à votação final.

Votação atrapalha agenda de Temer

Inicialmente, a votação final estava prevista para esta terça-feira, mas isso não deverá acontecer. A sessão provavelmente será adiada para quarta-feira de manhã, o mesmo dia em que Michel Temer deveria voar para China, onde, além de participar na cimeira do G-20, tem agendados uma série de encontros.

Segundo “A Folha de São Paulo”, o presidente interino terá de embarcar mais tardar às 16h (hora local) de quarta-feira, de forma a garantir que chega a horas a todos os compromissos. No entanto, no caso de ter de ser realizada uma cerimónia de tomada de posse, isso não será possível.

A cimeira do G-20 está marcada para 4 e 5 de setembro, com Temer a regressar ao Brasil ainda a tempo de assistir à abertura dos Paralímpicos, a 7 de setembro.

O “Estadão” acrescenta que a presidência acredita que haverá tempo para tudo, mesmo que a votação só aconteça esta quarta-feira de manhã.

A decisão quanto ao dia e hora da votação está nas mãos de Ricardo Lewandowski, presidente do Supremo Tribunal Federal, que tem conduzido o processo de julgamento de Dilma Rousseff.

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