Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Erdogan: “O meu país quer a pena de morte”

  • 333

OZAN KOSE/AFP/Getty Images

Presidente turco Recep Tayyip Erdogan volta a sublinhar que está preparado para reinstaurar pena capital “se o parlamento votar a favor” da medida

O Presidente da Turquia voltou a sinalizar no domingo que está preparado para reinstalar a pena de morte no país, na sequência da tentativa falhada de golpe de Estado conduzida por uma fação do Exército, que veio aumentar a instabilidade e incerteza entre a população.

Falando aos seus apoiantes num comício, Recep Tayyip Erdogan disse que a restauração da pena capital irá realizar-se assim que o parlamento votar a favor disso. "A minha nação quer a pena de morte", declarou. "Essa é a decisão da Grande Assembleia Nacional da Turquia." No mesmo discurso, Erdogan prometeu "destruir os terroristas" que ameaçam o país, declarando que "serão todos limpos como uma célula cancerígena". "Vamos encontrá-los e puni-los", prometeu o líder turco.

A pena de morte foi legal na Turquia até 2004, embora na prática não tenha havido qualquer execução formal desde 1984. A manifesta vontade do Governo do Partido para o Desenvolvimento e a Justiça (AKP) de Erdogan em trazer de volta a pena de morte ameaça pôr um fim abrupto às negociações de adesão do país à União Europeia — que, na sequência do golpe falhado, avisou que a medida nunca será aceite por ser contrária à Carta Europeia dos Direitos Humanos.

Erdogan continua a culpar o seu antigo aliado tornado rival, o clérigo Fethullah Gülen, pela tentativa de golpe em meados de julho, exigindo aos Estados Unidos que o extraditem para a Turquia a fim de ser julgado. O AKP classifica os apoiantes do "movimento gulenista" de "terroristas" e diz que estes apoiam um "Islão político" em vez de um "Islão cultural".

Os EUA continuam a recusar-se a extraditar Gülen, dizendo que a lei internacional apenas permite accionar essa medida com base em provas concretas e não apenas em suspeitas. Na quarta-feira passada, as autoridades turcas pediram formalmente a extradição do clérigo — que vive em autoexílio no estado norte-americano da Pensilvânia desde 1999 — mas não pelo seu alegado envolvimento no golpe que provocou mais de 300 mortos e mil feridos.

Na sequência dessa tentativa falhada de deposição de Erdogan, o Governo turco já deteve ou despediu mais de 45 mil pessoas das Forças Armadas ao ramo judicial, passando pela Educação e outros sectores da função pública, por alegadas ligações gulenistas.