Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Presidente da Colômbia ordena cessar-fogo a partir de segunda-feira

  • 333

LUIS ROBAYO

Acordo de paz que o Governo e as FARC concluíram esta semana para pôr fim ao mais longo conflito da América Latina deverá ser votado em referendo a 2 de outubro

Juan Mauel dos Santos ordenou esta sexta-feira às Forças Armadas da Colômbia que seja aplicado um cessar-fogo em todo o país a partir do início da próxima semana, num claro sinal às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) de que está empenhado em fazer resultar o histórico acordo de paz alcançado entre ambos esta semana.

Como chefe do Exército e comandante supremo das forças militares do país, o Presidente tem poder para ordenar o cessar-fogo, na sequência da trégua bilateral que tinha alcançado com o representante dos separatistas a 23 de junho, uma que abriu caminho ao acordo de paz firmado em Havana, capital de Cuba, na quarta-feira, que vem pôr fim ao conflito armado mais antigo da América Latina.

O cessar-fogo definitivo foi anunciado por Dos Santos após este ter entregado ao Congresso o documento do acordo de paz, para que os deputados procedam à sua aprovação e abram caminho ao OK popular num referendo que o Presidente quer que aconteça a 2 de outubro.

As negociações de paz que culminaram neste acordo tinham começado em novembro de 2012, embora tenha sido uma trégua unilateral declarada pelas FARC em julho de 2015 a grande impulsionadora das discussões. Esse foi o primeiro passo a abrir caminho para o acordo de palavra alcançado a 23 de junho deste ano e que agora deverá ser implementado definitiva e efetivamente.

A cerimónia formal de assinatura do tratado de paz, avança o "El País", deverá acontecer em finais de setembro, com a ONU responsável por monitorizar e garantir o abandono das armas por parte das FARC, que não poderá demorar mais do que 180 dias.

Nos últimos 13 meses, o conflito entre as FARC e o Estado colombiano tinham caído para os níveis mais baixos do mais de meio século de conflito armado, tanto em número de vítimas e feridos como de acções violentas. Em 2013, no ano a seguir ao início das primeiras conversações de paz na capital cubana, morreram mais de 430 pessoas na Colômbia, entre guerrilheiros, membros das forças de segurança e civis. O número foi sendo reduzido desde então, para 342 vítimas em 2014, 146 em 2015 e apenas três mortos até junho deste ano.

Crê-se que, ao todo, mais de 220 mil pessoas tenham perdido a vida nos 52 de conflito, 80% delas civis, a juntar aos seis milhões de colombianos deslocados internamente. A ONU estima que 60% das mortes tenham sido perpetradas por milícias de direita colombianas, como a Aliana Anticomunista, Morte aos Sequestradores (MAS), o Movimento de Restauração Nacional (MORENA) e outros grupos de oposição à luta e propostas políticas comunistas das FARC. Muitos desses grupos, sabe-se hoje, receberam apoios do Exército da Colômbia, dos Estados Unidos e do famoso cartel da droga Medellín.

  • Colômbia e FARC assinam histórico acordo de paz

    Quase quatro anos depois de iniciadas as conversações de paz, Governo e rebeldes enterram machado de guerra e assinam acordo que vem pôr fim a mais de cinco décadas de um conflito que se saldou em mais de 220 mil mortos e em milhões de deslocados