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Cidadãos faz ultimato ao PP e dá 48 horas a Rajoy para aceitar reformas

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Albert Rivera, secretário-geral do Cidadãos (direita), conversa com Juan Carlos Girauta, porta-voz do jovem partido

JAVIER SORIANO

Espanha está à beira de umas terceiras legislativas em menos de um ano, após os conservadores terem vencido as eleições antecipadas de junho novamente sem maioria absoluta, tal como em dezembro. Para poder formar Governo, Rajoy precisa do apoio do movimento centrista, que deu ao Governo até sábado à tarde para aceitar reformas institucionais ou perder o seu apoio na votação de investidura

O PP de Mariano Rajoy continua em negociações para conseguir obter uma maioria de apoios, ou abstenções, na votação de investidura do chefe do Executivo em funções, após os conservadores terem vencido as eleições antecipadas de final de junho sem maioria absoluta — à semelhança do que aconteceu no primeiro plebiscito, em dezembro, na sequência do qual os socialistas liderados por Pedro Sánchez falharam em alcançar um acordo de Governo como pedido pelo rei Felipe VI de Espanha.

Neste momento, é o Cidadãos, o jovem movimento centrista que ficou em quarto lugar nas duas idas às urnas, que tem a faca e o queijo na mão, exigindo aos populares que aceitem as suas condições, entre elas reformas institucionais, sob pena de perderem os votos dos seus deputados a favor de um Executivo conservador, após o rei ter incumbido Rajoy de tentar formar Governo.

Na quinta-feira, depois de uma nova reunião entre representantes dos dois partidos, o Cidadãos fez um ultimato ao PP: o partido tem até sábado à tarde para aceitar as reformas propostas, caso contrário os deputados eleitos do partido centrista não irão investir Rajoy.

"Ou aceitam a maior parte das reformas institucionais ou não estaremos do lado do sim", sublinhou Juan Carlos Girauta, porta-voz dos Cidadãos, citado pelo diário "La Rázon". "Oxalá exista vontade. Demos a nós próprios e às negociações 48 horas" para que um acordo seja alcançado, sublinhou. No Twitter, o líder do Cidadãos transmitiu a mesma mensagem: "Sem o apoio do PP às reformas institucionais e à classe média impede-se o desbloqueio [político] em Espanha. Esperemos que [os populares] retifiquem isso."

Apesar de reconhecer que foram alcançados alguns "avanços concretos" sobre as matérias que estão na mesa de negociações e que os dois partidos continuam a "transacionar" concessões, Girauta insistiu ainda que o PP continua sem definir cinco medidas sociais que propôs nas negociações com o Cidadãos para que o pequeno partido viabilize um Governo conservador.

"Não sabemos quanto custam estas medidas sociais, continuam por quantificar. Desejamos poder dizer sim à investidura do senhor Rajoy, queremos fazê-lo, por favor dêem-nos motivos para o fazer."

No final da reunião de quinta, e perante o prazo de 48 horas imposto pelo Cidadãos, o porta-voz do PP adotou uma postura diferente perante os jornalistas, garantindo que as negociações "avançaram muito" e que o que está em cima da mesa "não é um acordo de Governo mas de investidura" e a vontade dos populares "continua a ser a mesma".

Fernando Martínez-Maillo disse ainda que nenhum ultimato foi imposto pelos centristas nas negociações. "Não há razão para serem 48 horas, pode ser já esta noite ou dentro de 24 horas. A nossa proposta é que não haja limite e não aceitamos prazos."

Na semana passada, o PP tinha declarado que aceita as condições impostas pelo Cidadãos. “Demos um passo que qualificaria de decisivo para formar governo e para que não se repitam eleições", afirmou o presidente do governo espanhol em funções a 18 de agosto. Os centristas desmentem que um acordo total já tenha sido alcançado.

Para poder governar em minoria, o PP precisa que pelo menos um dos grandes partidos da oposição no mínimo se abstenha na votação de investidura a Rajoy. Essa possibilidade já foi afastada pelo PSOE de Sánchez e poderá ser igualmente refutada pelo Cidadãos este fim-de-semana caso os populares não acedam às suas exgiências.