Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Alcançado acordo para evacuar a cidade síria de Daraya

  • 333

Há pelo menos quatro mil pessoas sitiadas em Daraya, onde último carregamento de ajuda humanitária chegou em novembro de 2012

AFP

Rebeldes que lutam contra o regime sírio de Bashar al-Assad e milhares de civis vão ser autorizados a abandonar a cidade que está sitiada pelas forças leais ao Governo há quatro anos e onde dezenas de pessoas morreram à fome. Retirada deverá começar esta sexta-feira

O Governo sírio e as forças rebeldes alcançaram um acordo na quinta-feira à noite para evacuar a cidade de Daraya, que está sob cerco das forças leais ao regime de Bashar al-Assad desde 2012 e onde pouca ou nenhuma ajuda humanitária tem chegado desde então.

Sob o acordo firmado, milhares de civis e militantes rebeldes serão autorizados a bater em retirada da cidade próxima da capital, Damasco, a partir desta sexta-feira. Só em junho é que os residentes de Daraya receberam os primeiros alimentos e outros bens de primeira necessidade para colmatar a situação "horrenda" descrita por organizações como a ONU e por testemunhas no terreno.

Desde 2012 que a população da cidade tem enfrentado bombardeamentos quase constantes e falta de comida, água e eletricidade, o que tem levado a que dezenas de pessoas morram à fome. Sob os termos do acordo de Daraya, citados pelos media estatais sírios, 700 homens dos grupos armados que lutam contra Assad desde 2011 serão autorizados a abandonar a cidade rumo a Idlib, enquanto quatro mil civis serão recolocados em abrigos geridos pelo regime.

Daraya foi uma das primeiras cidades a albergar enormes protestos anti-governamentais há cinco anos antes de as manifestações pacíficas e consequente repressão do Governo sírio terem conduzido a uma guerra civil de enormes proporções que já se saldou em pelo menos meio milhão de mortos e milhões de deslocados e refugiados.

A retirada dos rebeldes da cidade a poucos quilómetros de Damasco é, para os analistas, uma grande vitória de Assad, que continua a lutar pelo controlo total do território sírio. "Estamos a ser obrigados a sair [da cidade], mas a nossa condição deteriorou-se a um ponto insuportável", explicou à Associated Press Hussam Ayash, um ativista sediado naquela cidade. "Aguentámos quatro anos mas já não conseguimos aguentar mais tempo."

O acordo surge antes de o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, se encontrar com o homólogo russo, Sergei Lavrov, em Genebra, para se retomarem as negociações de paz para a Síria. O encontro tem como objetivo primeiro tentar alcançar um cessar-fogo temporário na cidade de Aleppo, onde as lutas entre o Governo e os rebeldes têm estado a escalas nas últimas semanas, deixando centenas de pessoas mortas.

De acordo com o Observatório Sírio de Direitos Humanos, o mais recente ataque das forças governamentais a uma zona de Aleppo sob controlo dos rebeldes, com recurso a bombas-barril, provocou a morte de pelo menos 11 crianças e quatro adultos civis.

A ONU diz que a Rússia, grande aliada de Assad e que tem estado a apoiar as ofensivas do regime nas partes da Síria controladas pelos rebeldes, aceitou uma trégua de 48 horas em Aleppo para permitir que seja distribuída ajuda humanitária urgente. Apesar disso, a organização diz estar ainda à espera que o acordo seja apoiado pelas restantes partes envolvidas nos conflitos no terreno.