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Por serem gays, atirou-lhes com água a ferver. Agora foi condenado

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“Saiam de minha casa, seus gays”, gritou Martin Blackwell na noite em que encontrou o seu enteado deitado na cama com o namorado. Os dois jovens ficaram gravemente feridos

Anthony Gooden Jr., 23 anos, e Marquez Tolbert, 21 anos, dormiam na mesma cama quando a meio da noite acordaram a arder. O padrasto de Anthony, Martin Blackwell, acabara de lhes atirar água a ferver. “Saiam de minha casa, seus gays”, gritou o homem de 48 anos. Depois de seis meses de julgamento, foi condenado a 40 anos de prisão.

Tudo aconteceu a 12 de fevereiro deste ano. Os dois rapazes namoravam há cerca de seis semanas, quando Marquez Tolbert ficou a dormir em casa da família de Anthony. O jovem casal estava num colchão na sala de estar. Foi então que Blackwell, camionista de profissão e que só ficava na casa quanto estava de passagem pela cidade de Altanta, os viu deitados lado a lado.

O homem foi à cozinha, encheu uma panela de água e colocou-a ao lume. Quando o líquido começou a borbulhar, pegou no tacho, levou-o para a sala e despejou-o sobre os dois rapazes. “Estavam agarrados como um cachorro quente… por isso atirei um bocadinho de água quente para ajudar a separá-los. Eles vão ficar bem. Foi apenas um pouco de água quente”, disse Blackwell à polícia quando foi apresentada queixa, citado pelo “The Washington Post”.

O FBI investigou a possibilidade de se tratar de um crime de ódio, mas o estado norte-americano da Georgia é um dos cinco que não têm um estatuto para este género de crimes. Segundo a agência Reuters, os investigadores estão a ponderar acusar o homem de um crime federal de ódio.

“Iniciou-se uma investigação baseada nos direitos federais civis para determinar se o estatuto de crime federal de ódio se aplica”, informou Stephen Emmett, porta-voz do FBI, citado pela Reuters.

Segundo amigos das duas famílias, tanto Anthony Gooden como Marquez Tolbert tinham contado à família que eram homossexuais pouco tempo antes do ataque.

Esta quarta-feira, após 90 minutos de deliberação, Martin Blackwell foi condenado a 40 anos de prisão. É acusado, avança a Associated Press, de oito crimes de agressão agravada e dois de abuso agravado.

“Acordei com a maior dor da minha vida”

O casal de namorados ficou gravemente ferido. Anthony Gooden ficou internado no hospital por dois dias. Já Marquez Tolber, devido à gravidade dos ferimentos, esteve em coma induzido e tem mais de 60% do corpo queimado. Foi operado várias vezes para curar as feridas na pele do rosto, pescoço, costas, braços, peito e cabeça.

“Acordei com a imaginável maior dor da minha vida. Acordei a pensar porque sentia aquela dor, porque estava molhado. Não percebi o que se estava a passar”, recordou Tolbert, que dificilmente sai à rua porque o sol faz arder as queimaduras.

Em entrevista à WSB-TV, o jovem disse acreditar que as cicatrizes que agora traz no corpo são marcas do ódio. “Por que razão alguém deitaria água a ferver numa pessoa?”, questionou.

Em março foi criada uma campanha para angariação de fundos com o objetivo de ajudar a família de Tolberta a pagar as despesas médicas. Mais de duas mil pessoas já contribuíram, perfazendo um total de cerca de 74 mil dólares (cerca de 65 mil euros).