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No Mississippi, Nigel Farage dá a mão a Donald Trump e pede unidade aos republicanos

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Jonathan Bachman

Como apurado pelo Expresso, o líder de saída do Partido para a Independência do Reino Unido (UKIP) foi o convidado-estrela do candidato republicano à presidência dos EUA no comício de campanha desta madrugada

Nigel Farage pode ter abandonado a liderança do Partido para a Independência do Reino Unido (UKIP) mas nem por isso desapareceu dos holofotes. Pelo menos não nos Estados Unidos onde, tal como o Expresso tinha apurado, esteve esta quarta-feira (madrugada de quinta em Portugal) para dar o seu apoio ao candidato presidencial republicano, Donald Trump.

Diante de 15 mil apoiantes do magnata populista concentrados em Jackson, no estado do Mississippi, o antigo líder do partido xenófobo e anti-imigração, que abandonou a liderança do movimento no início de julho, pediu aos republicanos que "calcem as botas de combate" e se unam em torno do seu controverso candidato às eleições de 8 de novembro.

Sob fortes aplausos, Farage subiu ao palco para sublinhar que o Partido Republicano pode "destronar as sondagens" na corrida presidencial, claramente ignorando o facto de que, a cada nova sondagem, se reforçam as previsões de uma derrota não só do candidato da oposição como do próprio partido no Senado, sob o seu controlo desde as intercalares de 2014.

Num tweet na semana passada, Trump já tinha levantado o véu sobre o seu convidado de honra desta noite ao escrever que "em breve eles vão chamar-me senhor Brexit" – uma referência velada ao facto de, contra todas as previsões, Farage e outros apoiantes da saída do Reino Unido da União Europeia terem conseguido vencer o referendo de junho passado, através de uma campanha anti-imigração que angariou inúmeras críticas, em tudo semelhante à que Trump tem conduzido nos EUA.

Ao apresentar Farage à audiência em Jackson, Trump falou num homem que conduziu uma campanha "de forma brilhante" para assegurar essa vitória na consulta popular que, pelo menos em teoria, veio pôr fim aos 40 anos de adesão do país ao bloco europeu. Quando subiu ao palco, o líder de saída do UKIP começou por dizer que trouxe uma "mensagem de esperança e otimismo" para o Partido Republicano, que continua profundamente dividido em relação ao seu próprio candidato.

O seu discurso centrou-se, sem grandes surpresas, nos paralelismos entre a candidatura de Trump à Casa Branca e a campanha "do exército popular de cidadãos comuns" que conseguiu firmar a vitória do Brexit no Reino Unido, muito graças ao "compromisso de sucesso" do UKIP com os eleitores antes da votação de 23 de junho, apontou. Votar em Trump nos EUA é o mesmo que "votar pela independência da América", sublinhou para gáudio dos presentes, antes de garantir que não votaria na candidata democrata Hillary Clinton "nem que lhe pagassem".

"Se querem mudar este país, é melhor calçarem as botas de combate e saírem à rua para fazer campanha", referiu Farage. "E lembrem-se: tudo é possível se suficientes pessoas decentes estiverem preparadas para se erguerem contra o sistema."