Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Turquia pede extradição de Gülen mas não por causa do golpe falhado

  • 333

Depois de uma aliança de vários anos, movimentos islamitas de Gülen (esquerda) e de Erdogan cortaram relações e o imã fugiu para os EUA em 1999

OZAN KOSE

Vice-presidente norte-americano viaja esta quarta-feira até Ancara para se encontrar com o Presidente Recep Tayyip Erdogan e sublinhar o “forte e contínuo apoio” à democracia turca

O Governo dos Estados Unidos confirmou na noite desta terça-feira que recebeu de Ancara um pedido formal de extradição do clérigo turco Fethullah Gülen, que vive no país desde 1999, mas não pelo seu alegado envolvimento na tentativa de golpe de Estado de há um mês.

A notícia foi avançada pela Casa Branca após membros da administração Obama se terem encontrado com homólogos turcos em Ancara para discutir o futuro de Gülen, antigo aliado do Presidente Recep Tayyip Erdogan, que vive há 17 anos em exílio autoimposto no estado rural da Pensilvânia.

"Podemos confirmar que a Turquia pediu a extradição de Gülen", disse Mark Toner, porta-voz da Casa Branca, aos jornalistas. Nenhuma informação adicional foi avançada sobre os argumentos apresentados pelo Governo turco contra o islamita.

Esta quarta-feira, o vice-presidente dos EUA, Joe Biden, viaja até à capital turca para se encontrar com Erdogan, com Toner a sublinhar que o número dois da administração norte-americana irá sublinhar "o forte e contínuo apoio" à democracia turca depois de uma fação do Exército ter tentado depor o governo turco a 15 de julho.

Contudo, é provável que o encontro seja quase exclusivamente marcado pela disputa sobre o futuro de Gülen, que se tornou um grande obstáculo às relações diplomáticas entre os dois aliados no rescaldo do golpe falhado. Desde que escapou à tentativa de deposição, encetando uma purga em massa de alegados gulenistas e opositores em vários sectores da sociedade, da Justiça às Forças Armadas passando pela Educação e pelos media, o Presidente turco já sublinhou várias vezes que a administração de Barack Obama "tem de escolher entre a Turquia e Gülen".

Até agora, as autoridades norte-americanas mantêm que é seu dever respeitar os acordos internacionais de que os países são signatários, em particular o tratado de extradição de 1981 que dita que um suspeito só pode ser extraditado sob acusações formais e não apenas com base em suspeitas. O Governo de Erdogan diz que foi Gülen quem orquestrou o golpe, no qual mais de 200 pessoas perderam a vida, mas segundo Toner não é por isso que está a exigir a sua extradição.