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“Temos de esperar para não o magoar, ok?”

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CRISTIANO CHIODI/EPA

Sismo “apocalíptico” em várias zonas do centro Itália faz pelo menos 120 mortos - Amatrice é a localidade mais afetada. Há dezenas de pessoas presas nos escombros. Operações de socorro estão em curso e são de grande delicadeza. “Temos de esperar para não o magoar, ok?”, diz um elemento das equipas de socorro a uma pessoa presa entre escombros

A prioridade para as equipas de socorro que trabalham na região centro de Itália, abalada esta madrugada por um sismo de 6,2 graus de magnitude na escala de Richter, seguido de centenas de réplicas, é sobretudo levantar os escombros nas localidades atingidas e tentar salvar o maior número possível de pessoas. É uma corrida contra o tempo, enquanto, por outro lado, os sobreviventes começam a partilhar os momentos de aflição que viveram.

Giancarlo vive em Roma mas estava de férias em Amatrice, talvez a localidade mais atingida pelos estragos, longe de imaginar o susto que o aguardava. “Estava instalado numa casa que ruiu, situada no topo da colina. Sobrevivi, graças a Deus”, desabafou à agência Reuters. Espera que os outros ocupantes da casa estejam bem, mas nada sabe sobre o que lhes aconteceu.

“Estou há duas horas e meia aqui na rua, apenas com a roupa interior, e não sei... Estamos aqui à espera para ver o que acontece, não sabemos nada. É terrível. Tenho 65 anos e nunca vivi uma coisa assim. É uma catástrofe”, acrescentou.

Giancarlo apercebeu-se de, pelo menos, uma vítima mortal: “Vi um corpo, coitada da pessoa. E ouvi gente a pedir ajuda, a chamar, mas nestas condições o que se pode fazer?”.

Preso entre escombros

Na mesma cidade, a agência notociosa recolheu ainda o diálogo entre um elemento das equipas de socorro e um indivíduo preso entre escombros, a aguardar a chegada da polícia, para ser retirado.

“Consegue respirar?”, perguntam-lhe. “Apenas um pouco”, responde o homem, que diz necessitar de urinar. “Sei que não é agradável, mas vai ter de ser aí mesmo“, explicam-lhe então, pedindo que fique calmo e aguarde a chegada do socorro: “Temos de esperar para não o magoar, ok?”.

Amatrice foi uma das localidades mais afetadas. O sismo, de magnitude 6,2 (considerado forte), aconteceu de madrugada, quando a maior parte das pessoas estava a dormir e destruiu vários edifícios, cortando diversas estradas. A cidade estava lotada, por ser altura de férias e também porque para o próximo fim de semana estava agendada a feira gastronómica que anualmente é dedicada a um dos ex-libris de Amatrice: o esparguete ‘all'amatriciana’.

Pelo menos seis pessoas morreram na localidade, num balanço que não é ainda definitivo.

Por ficar numa zona montanhosa, o risco de acontecerem deslizamentos de terra é agora uma preocupação na cidade, que tem cerca de 2800 habitantes.

(Texto atualizado às 18h32)