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Sismo “apocalíptico” faz pelo menos 120 mortos em Itália, há dezenas de pessoas presas sob os escombros

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CROCCHIONI / EPA

Abalo de 6,2 graus de magnitude na escala de Richter atingiu sobretudo o centro do país, com pelo menos 60 réplicas sentidas ao longo da madrugada e durante a manhã. Autarca de Amatrice diz que “metade da cidade desapareceu”. Em Roma, a 160 quilómetros de distância do epicentro, edifícios abanaram durante 20 segundos, avança o jornal “La Repubblica”

Um sismo de magnitude 6,2 na escala de Richter abalou o coração de Itália esta quarta-feira de madrugada, provocando pelo menos120 mortos em várias localidades da região centro e prendendo mais de uma centena de pessoas sob os escombros de edifícios que ruíram. Accumoli, Amatrice, Pescara del Tronto e Sperlonga são as localidades mais afetadas pelo abalo e consequentes réplicas.

O primeiro sismo foi registado pelas 3h36 locais (menos uma hora em Lisboa) perto da cidade de Accumoli, na província de Rieti, cerca de 76 quilómetros a sul de Perugia, com epicentro a dez quilómtetros de profundidade. Esse abalo e os mais de 100 sismos e réplicas que se seguiram fizeram-se sentir em várias zonas do país, incluindo na capital, a 176 quilómetros de distância, onde os residentes acordaram em pânico após sentirem alguns prédios abanar durante mais de 20 segundos, noticia o "La Repubblica".

Em Accumoli, uma das cidades mais atingidas pela tragédia, pelo menos oito pessoas perderam a vida, segundo informações do autarca Stefano Petrucci, entre elas uma família de quatro que ficou soterrada pelos escombros. Em Pescara del Tronto, na província de Ascoli Piceno, as autoridades falam em pelo menos dois mortos, com a agência noticiosa ANSA a avançar um balanço não-confirmado oficialmente de pelo menos dez vítimas mortais.

"Todas as casas colapsaram", avançou o autarca Aleandro Petrucci. "É um desastre. Estamos a tentar evacuar a vila e retirar as pessoas para um campo de futebol. Acabei de chegar e só me apetece chorar. Nunca vi uma cena tão apocalíptica à exceção do sismo de Áquila na televisão", acrescentou, em referência ao rasto de destruição deixado pelo sismo que abalou aquela região de Itália em 2009.

Situada na região de Le Marche, a localidade ficou sem acesso direto após a principal estrada que a liga a outras cidades ter ficado coberta de destroços, o que dificulta as operações de resgate. De acordo com a Associated Press, os residentes que escaparam ilesos estão a tentar retirar os vizinhos de debaixo dos escombros. Fotografias captadas a partir do ar pelos bombeiros da região mostram a vila quase totalmente destruída.

Pelas 10h30 em Lisboa, a France Press atualizou o balanço de mortos para pelo menos 37 à medida que mais corpos foram sendo recuperados dos escombros. Em Amatrice, bem perto do epicentro, o balanço de vítimas mortais ainda não é conhecido, com as autoridades a colocarem a hipótese de o total vir a aumentar assim que os serviços de emergência conseguirem alcançar as zonas mais afetadas da cidade.

Aos media, o presidente de Câmara, Sergio Pirozzi, disse que "metade da cidade deixou de existir" e está sem acessos, após as estradas e uma ponte terem sofrido graves danos. "O que é que lhe posso dizer? É uma tragédia. Há muitas pessoas presas nos escombros, as casas já lá não estão... Houve um deslizamento de terras e há uma ponte que pode colapsar", disse Pirozzi em direto na televisão, pedindo às equipas de emergência que ajudem a limpar as estradas para facilitar a prestação de apoio às vítimas.

Há notícias de que o centro histórico de Sperlonga, uma cidade costeira em Lazio que é um popular destino turístico, terá ficado devastado, com as televisões italianas a mostrarem fotografias de edifícios ruídos e dezenas de carros presos sob os escombros. De acordo com Teresa Noronha, jornalista da SIC que viveu vários anos em Itália, a proteção civil italiana fala em mais de 100 pessoas desaparecidas.

O sismo fez-se sentir de Roma até Bolonha, abalando dezenas de pequenas cidades e vilas numa ampla área de território do centro do país. As autoridades italianas dizem que é difícil calcular, para já, quantas pessoas terão perdido a vida bem como a real dimensão dos estragos.

De acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla inglesa), os danos deverão ser significativos com base em acontecimentos semelhantes. Em 2009, o abalo de 6,3 graus de magnitude em Richter, que atingiu a região de Áquila e que também se fez sentir na capital, provocou mais de 300 mortos.

[Notícia atualizada às 18h30, com o número de mortos]