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Refugiados. Merkel quer acordos “um por um” com países do norte de África

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MICHAEL KAPPELER/EPA

Chanceler alemã sugere que União Europeia alcance convenções semelhantes ao acordo com a Turquia para controlar fluxo de refugiados e migrantes vindos do continente a sul. ONU avisa que 170 mil pessoas vão chegar até outubro a Itália, vindas sobretudo da Líbia

A chanceler alemã sugeriu na noite desta terç-feira que a União Europeia assine acordos com países do norte de África ao estilo daquele que foi alcançado com a Turquia, numa tentativa de controlar a onda massiva de chegadas de refugiados e migrantes ao território europeu registada ao longo deste verão.

Sob o controverso acordo "um por um" entre a UE e a Turquia, firmado em março e que Merkel continua a defender ser "correto", o bloco regional aceita acolher e integrar um sírio dos campos de refugiados da Turquia por cada pessoa que alcance o território europeu e que Ancara aceite receber.

Para Angela Merkel, o modelo, que implicou o pagamento de 6000 milhões de euros à Turquia para gerir a situação nos seus campos improvisados de acolhimento, pode servir de base a acordos alcançados com Estados do norte de África, de onde muitas pessoas têm partido este verão rumo à Europa.

"Temos de alcançar acordos semelhantes com outros países, como no norte de África, para determos maior controlo sobre as rotas marítimas de refugiados no Mediterrâneo", disse a chanceler ao jornal "Neue Passauer Zeitung". "Tais acordos também são do interesse dos próprios refugiados", sublinhou, referindo o acordo com a Turquia. "É mais seguro para eles e há boas razões para ficarem na Turquia, perto dos seus países de origem, onde as barreiras culturais e de língua são menores."

A sugestão, acompanhada de renovada pressão sobre todos os Estados-membros para que cumpram as quotas de acolhimento de refugiados impostas pela Comissão Europeia, surgiu após um encontro com os homólogos francês e italiano – sob o augúrio da ONU de que a crise de refugiados, que viu mais de um milhão de pessoas chegarem à UE em 2015 e milhares morrerem afogadas no Mediterrâneo, está prestes a intensificar-se novamente.

De acordo com o representante especial das Nações Unidas para a migração internacional, 95 mil pessoas já arriscaram a perigosa travessia do Mediterrâneo vindas de África rumo a Itália desde o início deste ano, antecipando-se que o número dispare entre setembro e outubro próximos, antes da chegada do inverno.

Em declarações aos media na terça-feira à tarde, Peter Sutherland avisou que as chegadas do continente africano, em particular da Líbia, deverão aumentar até à cifra de 170 mil pessoas, apesar de 3100 já terem morrido no Mediterrâneo desde janeiro. Neste momento, há cerca de 140 mil refugiados e migrantes, sobretudo daquele país, a viver em campos improvisados no sul de Itália, a juntar às dezenas de milhares de sírios, afegãos, iraquianos e outros nacionais que continuam presos na Grécia após os países a norte terem encerrado as suas fronteiras.