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Martina sobreviveu aos terramotos em Áquila e Pescara del Tronto. Mas agora perdeu a filha

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Amatrice, Accumoli e Arquata del Tronto foram os locais mais afetados

REMO CASILLI/ Reuters

Em 2009, Martina Turco sobreviveu ao terramoto em Áquila. Sete anos depois e a 200 km de distância, a terra voltou a fugir-lhe dos pés. Uma vez mais, saiu com ferimentos ligeiros mas ficou sem a sua menina. Com passar das horas surgem as histórias de quem sobreviveu e de quem viu morrer aqueles que mais ama no terramoto desta madrugada em Itália

As comparações entre o sismo desta quarta-feira e o de Áquila, em 2009, foram quase inevitáveis. Ambos aconteceram de madrugada, muito perto das 3h30 (hora local). Ambos tiveram magnitudes muito semelhantes (6,3 e 6,0, respetivamente). E em ambos estava Martina Turco. A italiana sobreviveu aos dois, mas neste último foi-lhe roubada uma parte da vida: a filha. Marisol Piermarini, 18 meses, é uma das centenas de vítimas mortais do sismo que fustigou o centro de Itália.

Martina Turco estava de férias com o companheiro, Maximilian, e filha de ambos, Marisol em Pescara del Tronto. Às 3h36 a terra tremeu. A bebé que dormia no berço não mais acordou. Os pais sofreram alguns ferimentos, mas nenhum corre perigo de vida. Ambos estão no Hospital Mazzoni di Ascoli.

“Não queriam que fosse ter com eles devido ao perigo, mas não me preocupei, tinha de ver se estavam todos bem. Mas, infelizmente, não havia nada a fazer pela pequena menina”, contou em desespero o avô de Marisol, Massimo Piermarini, citado pela agência Ansa.

Na unidade hospitalar, onde a bebé foi declarada como morta, um quarto está aberto aos familiares para velarem o corpo.

Há sete anos, a mãe da recém nascida escapou ao terramoto em Áquila, em que morreram 308 pessoas e foi sentido por todo o centro de Itália. Na altura, foi considerado um desastres naturais mais mortíferos em território italiano. Após o sismo, Martina Turco mudou-se para Ascoli. Foi aí que se juntou com Maximilian e teve Marisol.

As vozes por baixo dos escombros

Com o passar das horas, começam a surgir histórias dos que sobreviveram e dos perderam alguém. Há salvamentos improváveis e famílias inteiras que morreram com o forte abalo. O mais recente balanço apontava para pelo menos 120 mortos e quase 400 feridos. “Ouvimos vozes debaixo dos escombros, temos de as salvar”, dizia o presidente da câmara de Amatrice, Sergio Pirozzi.

Uma dessas vozes era de uma menina de 10 anos. Já a noite tinha caído quando duas mulheres, que caminhavam por Pescara del Tronto, gritaram: “Ela está viva!”. A criança foi imediatamente retirada dos destroços, segundo a AP. Foi levada para o hospital, mas ainda nada se sabe sobre a sua identidade e estado de saúde.

Na mesma cidade, a avó Vitaliana sentiu de imediato o tremer da terra. Consegui reagir e agarrar nos dois netos, Leo e Samuel, com 4 e 6 anos, e colocá-los debaixo da cama. A casa colapsou. Várias horas depois a mulher e as crianças foram retiradas vivas das ruínas. O avô das crianças não sobreviveu.

Mark mora no centro histórico de Amatrice. É varredor de rua e, por isso, já estava acordado para ir trabalhar quando sentiu a casa tremer. “Estar salvo é um milagre. Sai logo da cama”, contou, citado pelo jornal “La Repubblica”. Lembra-se que uma das primeiras coisas que pensou foi no sismo em Áquila. “É certo que durou mais tempo, aqui num momento tudo aconteceu”, comentou.

Na última madrugada, pelas 3h36, um sismo de magnitude 6.2 atingiu o centro de Itália. Amatrice foi o local mais afetado. Mas também em Accumoli e Arquata del Tronto (a que pertence Pescara del Tronto) os estragos são de grandes dimensões.