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Republicanos apostam tudo nos emails privados de Hillary Clinton

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FOTO JUSTIN SULLIVAN/GETTY IMAGES

Novos emails da ex-secretária de Estado sugerem que governos e empresas estrangeiras que estão a contribuir para a sua campanha receberam tratamento privilegiado do Departamento de Estado. Juiz federal já ordenou revisão urgente de quase 15 mil emails da candidata democrata e quer conclusões até 22 de setembro – o que poderá ditar a divulgação de mais emails controversos até meados de outubro, três semanas antes das eleições presidenciais

Ao que tudo indica, pelo menos a julgar por sondagens recentes, a campanha de Donald Trump, o candidato oficial do Partido Republicano à Casa Branca, está a destruir as possibilidades de os conservadores voltarem à presidência depois de dois mandatos consecutivos de Barack Obama. Mas para o Grand Old Party (GOP) nem tudo está perdido e a renhida luta que se antecipa pelo controlo das duas câmaras do Congresso norte-americano está a levá-los a sacar das melhores armas à disposição para afastar o maior número de eleitores e de votos do Partido Democrata.

Com previsões de que poderão perder o controlo do Senado, que alcançaram nas eleições intercalares de 2014, os republicanos estão empenhados em destruir o apoio popular a Hillary Clinton e têm no escândalo dos seus emails o melhor instrumento para o conseguirem. Os dados foram lançados esta segunda-feira, com o líder da comissão de Ciência, Espaço e Tecnologia da Câmara dos Representantes, o republicano Lamar Smith, e o líder da comissão de Segurança Interna do Senado Ron Johnson, também republicano, a apresentarem em tribunal pedidos de intimação contra três empresas de tecnologia que, de alguma forma, estiveram ligadas ao servidor privado que Clinton utilizou enquanto secretária de Estado no primeiro mandato de Obama.

Novas mensagens privadas da candidata democrata sugerem que doadores estrangeiros que têm contribuído para a sua campanha presidencial receberam tratamento preferencial do Departamento de Estado quando era ela a chefe da diplomacia dos EUA, através da fundação que criou com o seu marido e antigo Presidente, Bill Clinton.

Num comunicado conjunto, Smith e Johnson explicaram que o passo judicial foi necessário após as três empresas – Platte River Networks, Datto Inc. e SECNAP Network Security Corp. – se terem recusado a responder voluntariamente a questões das duas comissões do Congresso, sobre se o uso de um servidor privado por Clinton, enquanto secretária de Estado, cumpriu os regulamentos e normas de registo e segurança do Governo.

Cerco aperta-se?

As intimações foram aprovadas pelo tribunal e acompanhadas de uma outra ordem emitida por um juiz federal para que o Departamento de Estado analise com urgência os 14.900 emails privados da candidata democrata que foram recolhidos pelo FBI no decurso da sua investigação ao caso — uma que a agência federal concluiu com a rejeição de acusações criminais contra a antiga mulher-forte de Obama.

Sob as novas ordens do juiz James Boasberg, o Departamento de Estado tem até 22 de setembro para apresentar as suas conclusões sobre os quase 15 mil emails até agora mantidos em segredo. Tal significa que o conjunto de mensagens privadas poderá ser tornado público em meados de outubro, a cerca de três semanas das eleições presidenciais mais disputadas e menos previsíveis dos últimos anos, o que representa enormes riscos para a candidatura presidencial de Clinton.

Secretária de Estado entre 2009 e 2013, a agora candidata democrata continua a defender-se sob o argumento de que só apagou emails pessoais e não profissionais antes de entregar ao Departamento de Estado mais de 55 mil mensagens recebidas e enviadas através de um servidor privado enquanto chefe da diplomacia dos EUA. A maioria desses emails já foram tornados públicos, com as autoridades a argumentarem a manutenção de uma pequena parte deles em segredo por conterem informações sensíveis para a segurança nacional.

Acusações de tratamento preferencial

Também esta segunda-feira, a Judicial Watch, uma organização conservadora de monitorização da Justiça norte-americana, divulgou 20 trocas de emails, até agora desconhecidas, entre Clinton e a sua ex-chefe de gabinete Huma Abedin. Entre eles conta-se uma mensagem datada de 23 de junho de 2009 que Abedin enviou a Doug Band, assessor de longa data de Bill Clinton, que, na altura, trabalhava na Fundação Clinton, e que está a ser usada pelos republicanos para sustentar as acusações de que doadores da fundação, incluindo governos e grandes empresas estrangeiras, receberam tratamento preferencial do Departamento de Estado ao leme de Hillary.

Nesse email, Band combina com Abedin que vai marcar um encontro entre o príncipe herdeiro do Bahrein e Clinton durante a visita do membro da casa real a Washington, após este ter doado 32 milhões de dólares (28,3 milhões de euros) para a Iniciativa Global Clinton em 2005. Cópias da agenda da ex-secretária de Estado obtidas pela Associated Press confirmam que esse encontro aconteceu num escritório do Departamento de Estado a 26 de junho de 2009.

Em comunicado, o porta-voz do Departamento de Estado, atualmente ao leme de John Kerry, disse que não foi detetado nenhum conteúdo impróprio ou fora do comum nesse nem noutros emails que Clinton trocou com os funcionários da Fundação. "Não há nada impróprio", disse Mark Toner. "Isto é simplesmente uma prova da forma como o processo funciona, no sentido em que cada secretário de Estado tem assessores que recebem emails ou contactos de uma série de indivíduos e organizações."