Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Primeiro-ministro canadiano contra proibição do burquíni

  • 333

Primeiro-ministro canadiano

CHRIS WATTIE / REUTERS

O chefe de Governo canadiano defendeu a necessidade de o país "ir além da tolerância" e procurar antes a integração das suas comunidades diversas. Declarações surgem após políticos do Québec defenderem a proibição do véu islâmico de praia

Cátia Bruno

Cátia Bruno

Jornalista

O canadiano Justin Trudeau é o mais recente chefe de Governo a pronunciar-se acerca da polémica sobre o uso do burquíni. Para o líder do Partido Liberal, está fora de questão proibir o uso da versão de praia do véu islâmico no Canadá por uma questão de "respeito pelos direitos e escolhas individuais".

Após uma reunião do conselho de ministros canadiano, o primeiro-ministro frisou aos jornalistas que o país deve "ir além da tolerância". "No Canadá, podemos falar da existência de aceitação, abertura, amizade, compreensão? Isto é sobre onde estamos e para onde queremos ir no dia-a-dia das nossas ricas e diversas comunidades", disse o líder canadiano.

As declarações de Trudeau surgem depois de alguns partidos regionalistas do Québec se terem pronunciado contra o uso do burquini. Nathalie Roy, da Coalition Avenir Québec, afirmou que o seu partido não aceita o véu de praia no Canadá, por este "pretender esconder o corpo de uma mulher, por razões culturais ou religiosas, como se fosse algo indecente". Jean-François Lisée, candidato à liderança do Parti Québécois, foi mais longe e pediu a proibição do uso da burqa.

A ministra da Justiça, Stephanie Vallée, alertou para o facto de o burquíni não ser muito usado no Québec, mas, contudo, defendeu o seu uso: "As pessoas têm direito às suas crenças e a vestirem-se como querem."

No passado, o Québec já foi palco de uma disputa acerca da proibição do uso de símbolos religiosos em público. Em 2013, o Governo regional liderado pelo Parti Québécois propôs a criação de uma Carta de Valores do Québec, que limitaria o uso de símbolos religiosos pelos funcionários públicos e pelos cidadãos, quando estes interagissem com serviços do Estado. A proposta gerou um grande debate na província, com protestos a favor e contra a medida, mas acabaria por ser travada pelo Governo do Partido Liberal.