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A “Selva” nunca teve tantos habitantes

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AMONTOADO. As tendas multiplicam-se

A demolição está prometida e paira como uma ameaça, mas o acampamento não pára de crescer

As autoridades continuam a anunciar ter como objetivo desmantelar a insalubre “Selva” mas, ao contrário do que prometeram em 2015, nem sequer conseguem reduzir o número de migrantes que lá vive, a maioria sem qualquer estatuto legal.

Bem pelo contrário, a população da zona aumentou consideravelmente criando novos problemas de higiene e de segurança porque, desde há alguns meses, a superfície “verdadeiramente selvagem” do acampamento foi reduzida quase para metade depois de terem sido demanteladas à força, em fevereiro, centenas de tendas e barracas.

Toda esta vasta zona, onde as pessoas se aboletam como podem, é de facto ilegal porque não segue as regras internacionais sobre as condições mínimas, sanitárias e outras, exigidas pelas Nações Unidas para o acolhimento de refugiados e migrantes.

A situação é alarmante e é denunciada por associações humanitárias de ajuda aos refugiados porque, agora, as habitações de madeira ou de lona e de plásticos estão quase coladas umas às outras e a promiscuidade favorece a eclosão frequente de conflitos e rixas entre pessoas com culturas e origens muito diferentes.

Ao lado desta “Selva” - onde a polícia tem dificuldades para entrar e controlar os residentes – foi montado um outro acampamento “legal”, com contentores pintados de branco, incomparavelmente mais limpo, protegido e controlado, onde residirão cerca de 1750 migrantes.

No espaço das tendas e barracas, que é hoje mais um bairro da lata do que um campo de refugiados, há de tudo – de cabeleireiros a restaurantes e mercearias, de locais de culto a improvisadas salas de aulas montadas por associações.

Com o demantelamento das tendas em perto de metade do campo, a criação de espaços de “transição” como aquele onde estão instalados os contentores e o reforço considerável da segurança no porto e à volta da linha do Eurotúnel, as autoridades pretenderam diminuir o námero de migrantes na “Selva” das barracas. Numa primeira fase conseguiram-no e chegou a cerca de 3500 na passada primavera. Mas tudo se agravou posteriormente.

Um recenseamento oficial, divulgado neste fim de semana, aponta para perto de sete mil residentes em toda a zona – ou seja um número superior ao que se verificava antes do demantelamento e da construção do espaço dos contentores. Pelo seu lado, associações presentes no local apontam para mais de nove mil residentes e dizem que a situação é mais explosiva do que nunca. O próprio Estado francês reconhece, através da prefeitura local, que só num mês, este verão, chegaram mais dois mil migrantes a Calais, todos com o desejo firme de atravessar a Mancha e chegar a Inglaterra.

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