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Rebelde do Mali vai declarar-se culpado da destruição de mausoléus em Timbuktu

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Getty Images

Islamita já admitiu responsabilidades na destruição de monumentos religiosos e culturais no Mali durante a ocupação da cidade de Timbuktu em 2012. É a primeira vez que o Tribunal Penal Internacional se ocupa de um caso desta natureza

Um rebelde islamita identificado como um dos principais suspeitos da destruição de locais religiosos e culturais de Timbuktu vai declarar-se culpado desses crimes perante o Tribunal Penal Internacional (TPI), após ter assumido responsabilidade numa audiência à porta fechada que decorreu na semana passada na cidade holandesa de Haia, sede daquela instância judicial.

De acordo com o procurador Fatou Bensouda, citado pela BBC, Ahmad al-Faqi al-Mahdi não vai rejeitar as acusações que pendem sobre si, após ter assumido culpa na audência em que os juízes do TPI concluíram que existem provas suficientes para sentá-lo no banco dos réus. Esta é a primeira vez que um caso de destruição de património mundial é julgado por aquele tribunal.

ROBIN VAN LONKHUIJSEN

Mahdi, um antigo professor de 40 anos que foi formalmente indiciado pelo TPI em março deste ano, é acusado de liderar os esforços de destruição de nove mausoléus e de uma mesquita de Timbuktu durante a ocupação daquela cidade do Mali por islamitas em 2012.

A equipa de acusação diz que Mahdi era um “membro zeloso” do Ansar Dine, uma milícia tuaregue extremista com alegadas ligações à Al-Qaeda, e líder da Hesbah, ou “brigada de boas maneiras”, que impôs a lei islâmica em Timbuktu durante as lutas entre fações rivais que abalaram o Mali entre 2012 e 2013.

Mahdi, que o seu advogado diz ser um “homem inteligente e razoável e um intelectual erudito” que queria simplesmente rejeitar a adoração de santos e entidades divinas, é ainda acusado de estar envolvido e de executar as decisões do autoproclamado Tribunal Islâmico de Timbuktu.