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Internacional

Corbyn ou Smith? Começa votação para escolher próximo líder dos trabalhistas britânicos

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Jeremy Corbyn (esq.) disputa a liderança Labour com Owen Smith no rescaldo da vitória do Brexit

Christopher Furlong

Contestado líder do Labour é o favorito dos sindicatos e dos militantes mas não dos deputados do partido da oposição, 80% dos quais aprovaram uma moção de não-confiança contra Corbyn no rescaldo do referendo ao Brexit

Começa esta segunda-feira a votação que vai decidir se Jeremy Corbyn vai ou não continuar ao leme do Partido Trabalhista britânico, quase dois meses depois de ter sido alvo de uma moção de não-confiança no rescaldo do referendo que deu a vitória à saída do Reino Unido da União Europeia.

É a partir de hoje que os membros do principal partido da oposição do Reino Unido vão começar a receber os boletins de voto e acesso aos formulários de votação online, que deverão ser preenchidos e devolvidos ao partido até 21 de setembro — altura em que ficará definido se Corbyn, cuja liderança tem sido duramente contestada pelos seus pares desde a consulta ao Brexit, prossegue como líder do Labour ou passa o testemunho a Owen Smith, seu antigo aliado tornado candidato ao lugar.

Smith, um deputado de 46 anos pouco conhecido fora de Westminster, ajudou a potenciar estas primárias antecipadas ao anunciar a sua candidatura no mês passado, com avisos de que a liderança de Corbyn está a tornar “perigosamente real” a possibilidade de uma profunda divisão do partido.

O ex-membro do círculo mais próximo do líder trabalhista tem tentado atrair os militantes mais à esquerda, prometendo uma “revolução socialista” contrária à versão “romântica e enevoada de uma revolução que pretende destronar o capitalismo e regressar a um nirvana socialista”, que Smith atribui a Corbyn — o que o deputado classifica de “revolução socialista prática em que se constrói uma Grã-Bretanha melhor”, disse no final de julho.

Corbyn permanece o favorito ao cargo, angariando grande parte dos apoios da maioria dos sindicatos do Reino Unido e de muitos dos que se inscreveram nas listas do partido no ano passado para as primárias que viram o político de 67 anos ascender à liderança trabalhista no rescaldo da derrota do Labour nas eleições gerais.

Contudo, o contestado líder angaria muito poucos apoios dentro do Parlamento, onde 80% dos deputados trabalhistas aprovaram uma moção de não-confiança contra ele, no rescaldo do referendo de 23 de junho, sob acusações de não ter feito uma boa gestão da campanha pela permanência do Reino Unido na UE.

Essa consulta, na qual 52% dos britânicos votaram pela saída do bloco regional, funcionou como catalisadora das atuais eleições internas do Partido Trabalhista, à medida que mais e mais deputados foram elevando as suas vozes contra Corbyn abrindo uma guerra interna que deverá terminar dentro de precisamente um mês.

A deputada Angela Eagle também chegou a anunciar a sua candidatura ao cargo para contestar a liderança de Corbyn, mas decidiu abandonar a corrida no mês passado para, nas suas palavras, aumentar as possibilidades de Smith vencer as primárias.