Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Como evitar a entrada de refugiados na Hungria? Fácil: basta colocar “cabeças de porco” nas fronteiras

  • 333

ZOLTAN MATHE / EPA

A sugestão é do eurodeputado húngaro Gyorgy Schopflin, membro do Partido Popular Europeu, e está a causar muita polémica

O eurodeputado húngaro Gyorgy Schopflin parece ter a resposta para os problemas da Hungria em relação aos refugiados. “Cabeças de porco”. Leu bem, é isso mesmo: colocar cabeças de porcos no topo das vedações de rede e arame farpado colocadas nas fronteiras para afugentar os deslocados, impedindo-os assim de entrar no país.

“Imagens humanas são haram [contrárias à lei islâmica]... as cabeças de porco iriam ser mais eficazesd”, escreveu Gyorgy Schopflin, deputado do Partido Popular Europeu (PPE), grupo que reúne partidos de centro-direita, na sua conta no Twitter. A mensagem terá sido entretanto apagada.

“Não humilhei ninguém. Pedir desculpa? Porquê? Não vejo qual é a necessidade”, defende-se o eurodeputado húngaro Gyorgy Schopflin

“Não humilhei ninguém. Pedir desculpa? Porquê? Não vejo qual é a necessidade”, defende-se o eurodeputado húngaro Gyorgy Schopflin

Partido Popular Europeu

A Human Rights Watch foi uma das muitas organizações não-governamentais a manifestar o seu repúdio em relação às palavras do deputado, acusando-o de comportar-se como “um neonazi” e não como um membro do Parlamento Europeu (PE), referiu Andrew Stroehlein, diretor de comunicação da Human Rights Watch na Europa.

Numa entrevista ao site húngaro Mandiner publicada esta segunda-feira, Gyorgy Schopflin diz ter ficado surpreendido com as reações que a mensagem gerou. “Não humilhei ninguém. Pedir desculpa? Porquê? Não vejo qual é a necessidade”, frisa o eurodeputado.

O governo húngaro tem sido muito criticado por dirigentes europeus e organizações não-governamentais e de apoio humanitário, seja pela forma como tem lidado com os refugiados no país, seja por continuar a desrespeitar o sistema de quotas proposto por Bruxelas, com o argumento de que isso terá elevados custos financeiros e pôr em causa a unidade religiosa. De um total de 177.135 pedidos de asilo que a Hungria recebeu em 2015, apenas 146 foram aprovados, segundo estatísticas do próprio governo turco, citadas pelo “Independent”.

A Hungria, recorde-se, foi o primeiro país a construir uma barreira para impedir a entrada de deslocados no país e fê-lo ao longo do seu flanco sul. Quando as pessoas se desviaram e rumaram à Croácia, os húngaros construíram uma segunda barreira ao longo da fronteira com este país vizinho.