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Chefe da diplomacia das Filipinas desdiz Presidente sobre saída da ONU

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Dondi Tawatao / Getty Images

Presidente tinha ameaçado abandonar o organismo mundial por causa das críticas à sua estratégia de combate ao tráfico de drogas, encetada após ter tomado posse no final de junho. Pelo menos 900 pessoas suspeitas de venderem ou consumirem drogas já terão sido executadas por vigilantes desde maio, quando Rodrigo Duterte venceu as eleições

“Não vamos certamente abandonar as Nações Unidas.” Assim declarou esta segunda-feira de manhã Perfecto Yasay, ministro dos Negócios Estrangeiros das Filipinas, um dia depois de o recém-empossado Presidente do país, Rodrigo Duterte, ter insultado o organismo e ameaçado retirar o país da lista de nações que o integram. “Tal como já tinha dito, o comunicado do Presidente expressa profunda desilusão e frustração e não deve indicar uma ameaça de abandonar as Nações Unidas.”

Num discurso proferido este domingo na cidade de Davao, no sul das Filipinas, da qual Duterte foi autarca durante mais de duas décadas, o controverso líder filipino respondeu com uma ameaça clara às recentes críticas tecidas pela ONU à sua estratégia de combate ao tráfico e consumo de drogas no país.

“Se calhar vamos ter de dedidir separar-nos das Nações Unidas”, disse em inglês. “Se são assim tão insultuosos, seus filhos da mãe, então devíamos simplesmente sair”, acrescentou no dialeto Tagalog, de acordo com uma tradução da CNN Philippines. “Tirem-nos da organização. De qualquer forma não têm nada contra nós. Quando foi a última vez que aqui estiveram? Nada. Nunca. Exceto para criticar.”

As ameaças e insultos surgiram dias depois de o gabinete do alto comissário da ONU para os Direitos Humanos (OHCHR, na sigla inglesa) ter exigido à nova administração filipina que suspenda de imediato a onda de execuções extrajudiciais de suspeitos de crimes relacionados com droga.

Noel Celis / Getty Images

Desde que Duterte tomou posse como Presidente no final de junho, mais de 650 pessoas foram mortas pela polícia filipina, mortes estas que o líder e o chefe daquela força de segurança, Roland Dela Rosa, justificaram como tendo ocorrido em autodefesa. A par disso, pelo menos 900 civis foram mortos por suspeitos vigilantes alumiados pela violenta retórica anti-drogas do novo Presidente desde maio, quando Duterte venceu a segunda e última volta das eleições.

No seu primeiro discurso público após tomar posse, o homem que vários ativistas e organizações não-governamentais acusam de ter levado a cabo uma campanha semelhante de execuções em Davao, durante os 22 anos em que esteve ao leme da cidade, pediu à população que assuma ela a tarefa de matar traficantes e toxicodependentes.

“Esses filhos da puta estão a destruir as nossas crianças. Aviso-vos, não se metam nisso [na droga], mesmo que sejam da polícia, porque eu vou matar-vos”, declarou o chefe de Estado numa favela de Manila, a capital, no início de julho. “Se conhecerem toxicodependentes, matem-nos vocês mesmos, porque é demasiado doloroso para os pais deles fazerem-no.” De acordo com o Governo, mais de 600 mil traficantes e consumidores de droga já se entregaram às autoridades desde essa altura.