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Internacional

Casos de escravidão registados no Reino Unido quintuplicaram desde 2012

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Peter Macdiarmid

Governo britânico diz que aumento do número de vítimas apoiadas em Inglaterra e no País de Gales pelo Exército de Salvação é sinal de que os esforços para identificar vítimas de escravatura moderna estão a compensar

O Exército de Salvação diz que o número de vítimas de escravatura que ajudou em Inglaterra e no País de Gales entre 2015 e o início deste ano quase quintuplicou em relação a 2012, o primeiro ano de contrato da rede de instituições de caridade com o Governo para liderar os esforços de apoio a estas pessoas.

De acordo com números divulgados pelo grupo cristão protestante esta segunda-feira, 1805 pessoas receberam apoio entre abril de 2015 e março de 2016, contra os 378 registados entre julho de 2011 e junho de 2012. Das 1805 pessoas que procuraram ajuda ou que foram referenciadas por outros ao Exército de Salvação, 44% foram sujeitas a exploração sexual, 42% foram vítimas de exploração laboral, sobretudo nos setores da agricultura e da construção civil, e 13% eram escravas domésticas.

Citada pela BBC, fonte do Ministério do Interior disse que este aumento é um sinal de que os esforços para combater o fenómeno da escravatura moderna estão a funcionar. “A escravatura está há muito escondida da vista de todos e a nossa política tem como objetivo encorajar mais vítimas a identificarem-se e a pedirem ajuda”, diz Sarah Newton, responsável pela segurança, vulnerabilidade e combate ao extremismo.

Ao mesmo canal, Anne Read, diretora do programa de combate ao tráfico humano e escravatura no Exército de Salvação, sublinhou que, apesar de a natureza destes crimes tornar “sempre difícil perceber a verdadeira extensão do problema”, há pontos do programa governamental que não estão a funcionar — em particular a imposição de um período máximo de reflexão e recuperação de 45 dias para as vítimas que dão a cara e procuram ajuda, e que Read diz ser “insuficiente”.

“Se elas não obtêm o apoio que necessitam, então reforça-se o potencial de que possam, mais uma vez, ser exploradas e essa é para nós a pior coisa que pode acontecer. Quarenta e cinco dias não é tempo suficiente para apoiar alguém — dá-lhes uma hipótese de respirar, talvez de voltar ao seu statu quo, mas é apenas o início do processo [de recuperação].”

Números recentes do Ministério do Interior apontam para a existência de entre 10 mil e 13 mil vítimas de escravatura moderna dentro do Reino Unido, concentradas sobretudo em Londres, de um total de 45 milhões de vítimas em todo o mundo.