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Brasil perde medalha de ouro nos direitos humanos

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FOTO DANIEL RODRIGUES

Durante os Jogos Olímpicos pelo menos oito pessoas morreram, vítimas da repressão policial. Invasões de casas, ameaças diretas e agressões físicas ou verbais foram outras das violações de direitos humanos realizadas pela polícia

As autoridades brasileiras perderam a oportunidade de se sagrar campeãs na modalidade de direitos humanos, nos Jogos Olímpicos que este mês decorreram no Rio de Janeiro. A constatação é da Amnistia Internacional (AI) Brasil, difundida num comunicado enviado esta segunda-feira ao Expresso.

“O Brasil perdeu a medalha mais importante durante os Jogos no Rio: a oportunidade de se tornar campeão nos direitos humanos”, afirmou Atila Roque, diretor executivo da Amnistia Internacional Brasil. “As autoridades brasileiras perderam uma oportunidade de ouro de cumprir as suas promessas de implementar políticas de segurança pública para tornar o Rio de Janeiro uma cidade segura para todos.”

Durante os Jogos (5-21 de agosto), pelo menos oito pessoas foram mortas em operações policiais. Acari, Cidade de Deus, Borel, Manguinhos, Alemão, Maré, Del Castilho e Cantagalo foram as zonas de favelas do Rio onde decorreram operações policiais violentas, faltando ainda apurar se existiram mortes em Acari e Manguinhos (o que pode levar a um aumento do número de mortes). Foram igualmente reportadas outras violações dos direitos humanos, como invasões de habitações, ameaças diretas e agressões físicas ou verbais.

De acordo com o Instituto de Segurança Pública - Governo do Estado do Rio de Janeiro, à medida que se aproximavam os Jogos Olímpicos, a polícia foi matando cada vez mais pessoas no Rio: 35 em abril, 40 em maio e 49 em junho - em média, mais de uma morte por dia.

Nos primeiros dez dias dos Jogos, pelo menos dois agentes policiais morreram durante a repressão da polícia, sob a bandeira do “combate às drogas”. Além disto, registaram-se 59 tiroteios na região metropolitana do Rio de Janeiro (numa média de 8,4 por dia). No mesmo período, 14 pessoas morreram e 32 ficaram feridas na sequência da violência armada, segundo contabilizou a app da AI “Fogo Cruzado”.

Também os protestos pacíficos foram duramente reprimidos pela polícia, dentro e fora das arenas desportivas. Às manifestações, a polícia respondeu com gás lacrimogénio e granadas de atordoamento, bem como com a detenção de várias pessoas, por usarem roupas ou faixas com mensagens políticas, naquilo que a AI considera uma violação à liberdade de expressão. Só em São Paulo, a 5 de agosto foram detidas mais de 100 pessoas (entre elas, 15 menores) durante uma manifestação.

“A única forma de reverter todo o mal que ocorreu durante os Jogos é garantir que todas as mortes e outras violações de direitos humanos perpetradas pela polícia serão realmente investigadas e os responsáveis chamados à justiça”, conclui Atila Roque.