Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Merkel, Hollande e Renzi reúnem-se para discutir futuro europeu pós-Brexit

  • 333

Será o segundo encontro entre os três representantes europeus. O primeiro foi a 27 de junho, cinco dias após o referendo que resultou na saída do Reino Unido da União Europeia.

Sean Gallup/Getty Images

Trata-se do segundo encontro entre os três líderes e acontece a três semanas da cimeira europeia, agendada para 16 de setembro, em Bratislava

Helena Bento

Jornalista

Matteo Renzi, primeiro-ministro italiano, prepara-se para receber esta segunda-feira a chanceler alemã Angela Merkel e o Presidente francês François Hollande. O objetivo do encontro, que decorrerá numa pequena ilha na costa oeste da Itália, é discutir o futuro da Europa e analisar a saída do Reino Unido.

Em declarações ao “The Guardian”, uma fonte diplomática não identificada disse que a intenção dos três líderes é “mostrar a união dos três maiores países da UE, mas não criar um clube específico”, e acrescentou que se trata de um encontro de preparação para a cimeira europeia que terá lugar em Bratislava, a 16 de setembro.

O primeiro-ministro de Itália irá receber Merkel e Hollande na ilha de Ventotene, escolhida pelo próprio Renzi pelo seu significado simbólico: foi lá que Ernesto Rossi e Altiero Spinelli, dois intelectuais italianos perseguidos pelo regime fascista italiano, escreveram o célebre “Manifesto de Ventotene”, apelando à formação de uma federação europeia. Inicialmente intitulado “Por uma Europa Livre e Unida”, este manifesto foi um dos primeiros documentos a preconizar a adoção de uma constituição europeia. O objetivo seria interligar os Estados europeus de tal modo que se tornasse impossível a deflagração de outra guerra.

O encontro, o segundo entre os três líderes (o primeiro foi a 27 de junho, cinco dias após o referendo), acontece a três semanas da cimeira europeia em Bratislava, que marca o arranque das discussões sobre o futuro da União Europeia, já sem a presença do Reino Unido.

Renzi, Hollande e Merkel têm opiniões diferentes sobre o rumo que a Europa deve tomar para tentar conter o cada vez maior número de vozes eurocéticas dentro da UE. Bruxelas, em particular, teme que se venha a verificar o chamado efeito-dominó, em que outras capitais europeias, seguindo o exemplo do Reino Unido, exigem igualmente apresentar referendos às suas populações. A Holanda é, atualmente, o caso mais preocupante. Embora tenha sido descredibilizado no Parlamento, Geert Wilders, líder do Partido para a Liberdade, que se encontra bem posicionado para as próximas eleições na Holanda, continua a defender de forma acérrima a saída do país da União.

Os três representantes têm também perspetivas diferentes em relação à forma como deve ser impulsionado o crescimento europeu. O primeiro-ministro italiano e o Presidente francês concordam que é necessário mais investimento. A chanceler alemã, por outro lado, está sobretudo preocupada com a preservação da integridade da UE e não quer aliviar as regras a que estão sujeitos os Estados-membros.

  • “Não acredito que o Brexit vá acontecer”

    Timothy Snyder releu a II Guerra Mundial a partir do Leste europeu. Identifica uma mudança de padrão na Rússia, mas vê mais perigo imediato numa eventual paragem do processo de integração europeia

  • Segundo o FMI, o Deutsche Bank é o maior risco sistémico em todo o mundo. As suas ações valem hoje 8% do que valiam em 2007 e caíram 48% só nos últimos 12 meses. Os seguros contra os risco de crédito do banco alemão estão em valores mais altos do que em 2008. Depois de seis anos de uma queda disfarçada, os últimos nove meses foram marcados por escândalos. Descobriu-se que escondeu nove mil milhões de euros em perdas, durante a crise financeira. Em 2015 teve um prejuízo de 6,8 mil milhões , depois de uma condenação por manipulação do Libor ter levado ao pagamento de uma coima de 2,3 mil milhões. A sua subsidiárias nos EUA chumbou no teste anual de stress da Reserva Federal. Os sinais de alarme já tocaram todos e o Brexit piorou a coisa: 19% das suas receitas têm origem no Reino Unido. Esperemos que as nuvens negras que cobrem a banca alemã e italiana se dissipem. Mas não deixa de ser assustador que, com uma bomba relógio em casa, Shauble tenha obrigado a Europa a entreter-se com a destabilização de Portugal. Alguém lhe explique que se a bomba rebentar os limites ao défice não passarão de uma piada de mau gosto. A começar para a Alemanha, que os violará de novo e de novo escapará a sanções