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Internacional

Turquia “terá um papel mais ativo na Síria nos próximos seis meses”

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Binali Yildirim, primeiro-ministro da Turquia

Erhan Ortac/Getty Images

A garantia foi dada pelo primeiro-ministro turco Binali Yildirim, que não esclareceu, contudo, em que consistirá esse papel

Helena Bento

Jornalista

A Turquia “terá um papel mais ativo na Síria nos próximos seis meses”. A garantia foi dada pelo primeiro-ministro turco Binali Yildirim, que não explicou, contudo, em que consistirá esse papel nem de que forma pretende a Turquia ter uma maior presença num conflito que já dura há mais de cinco anos e que no qual estão já envolvidas outras potências mundiais como os EUA, Rússia, Arábia Saudita e Irão.

Binali Yildirim explicou que o objetivo de uma maior intervenção no conflito “é evitar divisões étnicas na Síria”. Segundo o britânico “The Guardian”, que cita as declarações do primeiro-ministro, o Governo turco teme que o fortalecimento das milícias curdas na Síria encoraje a insurreição dos curdos separatistas na Turquia, que têm sido, devido às suas ambições de autonomia e independência, o principal alvo do Presidente turco Recep Tayyip Erdogan.

Na Síria, as forças paramilitares curdas YPG (Unidades de Proteção Popular) têm sido fundamentais no combate ao autoproclamado Estado Islâmico, que tem vindo a perder gradualmente territórios no país. Apoiadas pelos Estados Unidos, as YPG integram, ao lado de milícias árabes, as Forças Democráticas Sírias (SDF na sigla inglesa). A tomada de Manjib, na província de Alepo (norte do país), aos radicais do Estado Islâmico é um bom exemplo da eficácia desta coligação.

A relação entre curdos e o regime sírio, que nunca foi pacífica, tornou-se ainda mais difícil nos últimos dias, com o Éxercito sírio a bombardear, desde quinta-feira passada, posições curdas na cidade de Hassaka (norte do país), naquele que é já considerado “o confronto mais violento entre as milícias curdas e o regime de Damasco, refere o “Guardian”.

Ainda citado pelo jornal britânico, Binali Yildrim voltou a sublinhar a necessidade de o Presidente sírio Bashar al-Assad ser afastado de qualquer solução política de longo-prazo para resolver o conflito sírio, embora admitindo que ele possa manter-se no poder numa fase de transição.