Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Morreu o irmão de Omran Daqneesh, o menino sírio da ambulância

  • 333

ALEPPO MEDIA CENTER / @AleppoAMC / HANDOUT

Ali Daqneesh, de 10 anos, foi vítima do mesmo ataque aéreo que deixou Omran, o menino sírio da ambulância, ferido

Helena Bento

Jornalista

O irmão mais velho de Omran Daqneesh, o menino de cinco anos que aparece sentado numa ambulância no já tão conhecido vídeo divulgado por um grupo sírio, morreu este sábado, na sequência do mesmo ataque aéreo que feriu Omran. A notícia foi avançada por fontes locais, incluindo uma testemunha.

Besher Hawi, porta-voz do conselho local, confirmou a informação. Ali Daqneesh, de 10 anos, foi resgatado dos escombros com ferimentos muito graves. Segundo a Reuters, tinha hemorragias e os órgãos em falência.

Na quarta-feira passada, Ali e Omran Daqneesh foram socorridos juntamente com os pais e mais dois irmãos, depois de a casa em que viviam, em Qaterji, um bairro de Alepo, ser atingida por um ataque aéreo.

O vídeo de Omran Daqneesh, captado momentos depois de ele ter sido resgatado por uma equipa de emergência, deixou o mundo chocado. Omran aparece sentado numa cadeira, numa ambulância, com feridas nos braços, pernas e rosto e o cabelo coberto de pó. Tem um ar confuso e atordoado. A dada altura, passa a mão pelo rosto para limpar a poeira. O gesto, assim como a sua incapacidade, denunciada pelas suas expressões faciais, de perceber o que está a acontecer à sua volta, comoveu as redes sociais e as imagens tornaram-se, em pouco tempo, virais.

Na quarta-feira, a União Europeia exigiu que os combates em Alepo parem “imediatamente”, de forma a serem retomadas as operações humanitárias e de socorro, que se encontram há muito tempo suspensas devido aos ataques aéreos constantes. A província, no norte da Síria, tem sido uma das mais afetadas pela guerra civil que dura há já cinco anos no país, e a cidade, com o mesmo nome, um dos locais mais massacrados.

Praticamente dividida em duas partes por uma batalha entre forças da oposição (zona oriental) e regime (zona ocidental), Alepo está na mira do mundo e a situação na cidade tem sido acompanhada com grande nervosismo. O seu rumo irá definir, como vários analistas têm apontado, o rumo da Síria.

À exigência da UE de que parem “imediatamente” os bombardeamentos, a Rússia, que tem levado a cabo uma grande parte deles, cumprindo assim fielmente o seu papel de aliada de Bashar al-Assad, respondeu afirmativamente, prometendo um cessar-fogo de 48 horas a partir da próxima semana. Mas as expectativas de que isso venha a resultar, efetivamente, na entrega de alimentos e medicamentos às cerca de 300 mil pessoas que vivem na zona oriental de Alepo, são muito baixas. É que as mesmas promessas foram feitas por Moscovo e pelo regime sírio no passado, não tendo sido, de maneira nenhuma, cumpridas.

Os números continuam a mostrar o quão catastrófica é a situação em Alepo e arredores - só este mês já foram mortas 448 pessoas (civis) em bombardeamentos e ataques áreos, segundo o Observatório Sírio para os Direitos Humanos.

  • É desta que nos vamos preocupar?

    Um vídeo divulgado por uma organização síria mostra uma criança com pernas, braços e rosto ensanguentados, sentada numa cadeira numa ambulância. Sobreviveu a um ataque aéreo em Alepo, cidade cujo rumo poderá vir a decidir o futuro da Síria.

  • O menino de ninguém que nos pôs todos a olhar para Alepo

    De que serve colecionar crianças-símbolo da dor? Há um ano, um menino sírio morreu numa praia turca. Na quarta-feira, outra criança sem voz foi retirada dos escombros da batalha de Alepo. Inflamam-se as redes sociais e a Internet com a dor e a inação. Até quando?