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Trump recebe primeiro briefing secreto da espionagem americana

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Encoberto pelo governador de New Jersey Chris Christie no interior de uma viatura, Donald Trump abandona o edifício Jacob K. Javits onde pela primeira vez esteve reunido com os serviços secretos dos EUA

JUSTIN LANE / EPA

A tradição de manter informados os dois principais candidatos presidenciais remonta ao tempo de Truman. Desta vez, porém, a rotina está a dar polémica

Luís M. Faria

Jornalista

Donald Trump recebeu esta quarta-feira o primeiro briefing secreto dos serviços de intelligence norte-americanos. Numa sala protegida em instalações do FBI em Nova Iorque, o candidato republicano reuniu-se com responsáveis dessa área, de quem terá recebido informação sobre ameaças concretas ao país, e também sobre métodos de recolha de informação. Em breve será a vez de a sua rival Hillary Clinton ir a um briefing semelhante. É uma rotina em anos de eleição presidencial, na qual normalmente mal se repara. Desta vez, porém, a rotina está a dar polémica.

Esses briefings, fornecidos ao candidatos presidenciais dos dois principais partidos, remontam ao tempo do Presidente Herry Truman (entre 1945 e 1953). Visam tornar mais fácil a transição de poder após as eleições, independentemente de quem as vença. Mas agora foram abertamente postos em causa. Vários republicanos disseram que Hillary Clinton não os devia receber, pela imprudência que demonstrou ao utilizar um servidor privado em comunicações oficiais.

Trump, por sua vez, suscita inquietações bem mais amplas. Em junho, perguntaram ao diretor da CIA John Brennan o que faria se se visse obrigado a manter a tradição do briefing em relação a ele. Com uma expressão visivelmente contrariada, respondeu: "Tentarei cumprir as minhas responsabilidades".

Desde defender abertamente a tortura a garantir que assassinaria famílias de terroristas, o candidato republicano tem multiplicado declarações tidas como irresponsáveis durante a sua campanha. A controvérsia intensificou-se quando, após hackers alegadamente russos terem feito publicar (através da WikiLeaks) emails internos do Partido Democrata, Trump manifestou o desejo de que publicassem outros da própria Hillary Clinton.

"Finjam, que ele é perigoso"

Um candidato presidencial a pedir aos russos que invadissem as comunicações da sua rival para intervirem numa eleição americana, era um espetáculo inédito. Trump explicou depois que as suas palavras eram irónicas, mas o mal estava feito.

Há semanas, quando se começou a falar nos briefings, o ex-líder da minoria democrata no Senado Harry Reid manifestou-se alarmado: "Como é que a CIA e os outros departamentos de intelligence podem dar briefings a este tipo? Sugiro que, se forem obrigadas a isso, não lhe digam nada. Finjam, porque este homem é perigoso".

O próprio Trump, em vésperas do briefing, não fez nada para tranquilizar as pessoas que lho iam dar. Quando lhe perguntaram se confiava nos serviços de informação, disse não esperar muito das pessoas que lá têm estado nos últimos dez anos. "É catastrófico (...) Olhem para o Iraque. Olhem para o Médio Oriente. É um barril de pólvora total".

Para ir mais seguro ao encontro e saber que perguntas fazer, levou consigo Michael Flynn, um general que esteve nos serviços de informação militar e que, conforme Trump explicou, "é um verdadeiro fã meu e meu defensor e um grande tipo, um grande general - duro, esperto. Sobre emigração ilegal, em particular, pensa como eu".

O briefing foi realizado ao fim da tarde desta quarta-feira e durou cerca de duas horas. O pressuposto é que os candidatos não divulguem a informação que recebem. Trump não fez comentários nem à entrada nem à saída do edifício.