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Hackers atacam NSA. E divulgam o software usado pelos espiões americanos

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Sede da NSA em Fort Meade, Maryland

SAUL LOEB / AFP/ Getty Images

Snowden tinha-se limitado a publicar e explicar diagramas dos programas secretos dos Estados Unidos

Luís M. Faria

Jornalista

A National Security Agency (NSA), a toda-poderosa agência de espionagem norte-americana cujos métodos foram expostos com grande escândalo público por Edward Snowden há três anos, não deixou de funcionar por causa disso. Mas perdeu alguma da sua mística. E agora, ainda mais um pouco: um misterioso grupo de hackers acaba de publicar online o código de software utilizado pela NSA para penetrar em sistemas informáticos alheios, designadamente os utilizados por governos e empresas em países como a Rússia, a China e até aliados dos EUA.

A publicação aconteceu no passado dia 15. Embora a NSA não tenha comentado, a autenticidade dos ficheiros não parece ser contestada. Segundo Nicholas Weaver, um investigador de segurança informática na Universidade da Califórnia, "falsificar esta informação seria monumentalmente dificil. Muito daquele código nunca devia ter deixado a NSA". Mas foi notado que nenhum do software é posterior a 2013, e um ex-colaborador não-identificado da agência relativiza: "O material que eles têm ali é superinteressante, mas não é nem de longe o mais interessante na caixa de ferramentas".

Os hackers, que dão pelo nome de Shadow Brokers, puseram online, em formato legível, cerca de 40% do material que dizem ter. Os restantes 60% estão encriptados, mas o grupo oferece-se para o vender por um milhão de bitcoins, o que dará uns 500 milhões de dólares (443 milhões de euros). Porém, essa oferta visará sobretudo distrair e não é levada muito a sério. Quanto mais não seja, por as bitcoins serem fáceis de seguir.

Outra vez os russos?

O objetivo do gesto será outro, mais psicológico ou político. Snowden comentou no Twitter: "As provas circunstanciais e a sabedoria convencional indicam responsabilidade russa (...) É provavelmente um aviso para provar a responsabilidade americana em quaisquer ataques que resultem disto" - quer dizer, daquele software. "Isto pode ter consequências significativas de politica externa, particularmente se algumas dessas operações tiverem como alvos países aliados".

Uma discussão que o caso reacende tem a ver com a eventual obrigação, para a NSA, de revelar às empresas de informática norte-americanas as vulnerabilidades de que tome conhecimento nas 'firewalls' e outras medidas de proteção concebidas por elas. O software agora revelado serve para quebrar barreiras muito caras e sofisticadas, que não raro protegem informação (comercial e outra) bastante valiosa. Quem as emprega ficou a saber que se encontra exposto há anos, e que o governo sabia isso. Quantas mais entidades - e que entidades - não o sabiam já também?