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Amnistia Internacional denuncia torturas, condições desumanas e mortes nas prisões sírias

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Exposição em Genebra (Suíça) de algumas das fotografias tiradas por um antigo polícia militar conhecido por Caesar, que deram origem ao famoso relatório "Caesar", sobre o assassínio de mais de 11 mil prisioneiros sírios pelo regime entre março de 2011 e agosto de 2013

PHILIPPE DESMAZES/GETTY IMAGES

A Amnistia Internacional estima que 17.723 pessoas morreram sob custódia na Síria desde o início da crise. Relatório da ONG cita testemunhos de sobreviventes de torturas que descreveram casos de “abusos chocantes” e “condições desumanas” sofridas nos centros de segurança sírios

A Amnistia Internacional (AI) denunciou esta quinta-feira as “torturas, condições desumanas e mortes” que ocorrem sistematicamente nas prisões sírias e instou a comunidade internacional a mediar para resolver “abusos” equiparáveis a “crimes contra a humanidade”.

No relatório “It breaks the human: Torture, disease and death in Syria's prisons”, a AI estima que 17.723 pessoas morreram sob custódia nesse país desde o início da crise, em março de 2011, mais de 300 mortes todos os meses.

A organização cita os testemunhos de 65 sobreviventes de torturas, que descreveram casos de “abusos chocantes” e “condições desumanas” sofridas nos centros de segurança sírios, operados pelos serviços secretos do governo desse país, assim como na Prisão Militar de Saydnaya, nos arredores de Damasco.

“O catálogo de histórias de terror descreve com detalhes chocantes os terríveis abusos sofridos pelos detidos, de forma rotineira, desde o momento da sua detenção, nos interrogatórios e quando estão detidos nas instalações dos serviços secretos sírios”, afirmou Philip Luther, diretor do programa da AI para o Médio Oriente e Norte de África.

Philip Luther recorda que durante décadas o Executivo sírio recorreu à tortura como “forma de derrubar os seus opositores” e que atualmente essa prática “faz parte de um ataque sistemático dirigido contra qualquer suspeito de se opor ao Governo, entre a população civil, e equivale a crimes contra a humanidade”.

A AI pede à comunidade internacional, em particular à Rússia e aos Estados Unidos - coordenadores das negociações de paz sobre a Síria -, que façam deste um tema prioritário nas conversações com as autoridades sírias e grupos armados, para acabar com os maus tratos nas prisões do país.

  • A minha identificação? Sou uma mulher síria (um depoimento incrível)

    Soubemos deste texto inédito através de outro jornalista sírio, que trabalha no jornal online “Syrian Reporter”. Perguntámos a Hanady Alkhatib se autorizava que publicássemos o documento, traduzindo do inglês para o português, e ela respondeu que sim, que autorizava, e que era “muito importante” para ela saber que a sua história ia ser contada noutra língua e a outras pessoas. Confuso? Passe ao parágrafo seguinte