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Academia militar “anticapitalismo” inaugurada na Bolívia

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“Se o império ensina a dominação do mundo a partir das suas escolas militares, vamos aprender com esta escola a libertarmo-nos da opressão imperial”, afirmou o Presidente Evo Morales na cerimónia de abertura

Criada na Bolívia para combater a influência “capitalista” e “colonial” dos EUA, a academia militar tem o nome do general Juan José Torres - antigo Presidente do país, que assumiu o poder na sequência de um levantamento popular em 1970 - e já foi inaugurada.

No discurso que marcou a cerimónia de inauguração, o atual Presidente Evo Morales foi claro: “Se o império ensina a dominação do mundo a partir das suas escolas militares, vamos aprender com esta escola a libertar-mo-nos da opressão imperial”.

A academia, instalada em Warnes, localidade próxima de Santa Cruz, será passagem obrigatória para alcançar a patente de capitão. Segundo o governo, até 200 cadetes vão aprender conteúdos como história, geopolítica e estratégia militar.

“Queremos construir um pensamento anticolonial e anticapitalista, que una as Forças Armadas aos movimentos sociais e neutralize a influência da Escola das Américas, que sempre viu os indígenas como inimigos internos”, acrescentou na sua intervenção Evo Morales.

O Presidente, que expulsou do país o embaixador norte-americano e agentes das brigadas antinarcóticos em 2008, acusou Washington de encorajar “golpes”, como o processo de afastamento de Dilma Rousseff, no Brasil.

Morales apontou também o dedo aos EUA, como país que promove o terrorismo global através de intervenções militares, citando como exemplo a ascensão do autodenominado Estado Islâmico.