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Trump remodela equipa de campanha pela segunda vez em dois meses

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Jeff Swensen/ Getty Images

As mudanças surgem poucos dias depois de Paul Manafort, chefe da campanha de Trump, ter sido acusado de estar envolvido num processo de alegada corrupção na Ucrânia, em que terá recebido durante seis anos mais de 11 milhões de euros de um partido pró-russo

O candidato republicano nas eleições presidenciais nos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou esta quarta-feira uma remodelação da sua equipa de campanha, a segunda em dois meses.

Um dos novos reforços é Stephen Bannon, um dos diretores do portal de notícias conservador Breibart Noticias LLC, que assume o cargo de diretor executivo da campanha do multibilionário candidato.

A entrada de Bannon - um defensor do estilo populista de Trump e um crítico de alguns líderes republicanos nomeadamente do presidente da Câmara dos Representantes (câmara baixa do Congresso) Paul Ryan - tem como objetivo "reforçar a estratégia na vertente empresarial" do candidato presidencial do Partido Republicano, segundo um comunicado divulgado pela campanha.

Kellyanne Conway, até agora assessora e analista de sondagens na campanha de Trump e do candidato à vice-presidência Mike Pence, passa a ser a responsável pela gestão da campanha.

Conway já trabalhou nas campanhas de vários republicanos, como foi o caso do senador e ex-candidato presidencial nas primárias republicanas Ted Cruz, do ex-presidente da Câmara dos Representantes Newt Gingrich e do próprio Pence (governador do Estado do Indiana).

Estas mudanças surgem poucos dias depois de Paul Manafort, atual chefe da campanha de Trump, ter sido acusado de estar envolvido num processo de alegada corrupção (pagamentos ilícitos) na Ucrânia.

A imprensa norte-americana noticiou que Paul Manafort terá recebido durante seis anos quase 13 milhões de dólares (11,5 milhões de euros) de um partido pró-russo na Ucrânia.

Os 'media' americanos também avançaram que, entre as transações ilícitas em investigação, existe um acordo avaliado em 18 milhões de dólares (cerca de 15,9 milhões de euros) para a venda dos ativos de um canal por cabo a um consórcio montado por Manafort e o oligarca russo Oleg Deripaska, aliado do Presidente russo Vladimir Putin.

Segundo divulgou esta quarta-feira a agência France Presse, Paul Manafort, de 67 anos, também tem sido um "estratega" e um lobista a favor de financiamentos norte-americanos de grupos políticos e de ditadores em todo o mundo durante as últimas décadas.

Alguns desses financiamentos foram destinados ao antigo regime de Ferdinando Marcos, nas Filipinas, ao antigo governo ditatorial da Somália, ao executivo das Bahamas, ligado ao tráfico de droga, ao ex-ditador do Zaire Mobutu Sese Seko, e também à UNITA, movimento angolano de Jonas Savimbi, durante a guerra civil em Angola (1975-2002).

Manafort, que foi contratado em março para a equipa de Trump, vai permanecer no cargo, mas com as novas nomeações deverá perder influência.

Em meados de junho, Trump já tinha agitado a estrutura da sua equipa, ao despedir Corey Lewandowski, o então gestor de campanha.

Na altura, os 'media' norte-americanos indicaram que a situação tinha sido provocada por um conflito entre Lewandowski -- cujo lema era "deixem o Trump ser Trump" - e o chefe de estratégia Paul Manafort.

A analista Kellyanne Conway já esteve envolvida em várias primárias, mas nunca foi gestora de uma campanha a nível nacional. Segundo a comunicação social norte-americana, é uma pessoa próxima de Ivanka Trump, uma das filhas do magnata do imobiliário.

Por sua vez, Stephen Bannon não tem qualquer experiência em campanhas políticas, mas é apresentado como uma pessoa com uma atitude combativa, similar ao ex-gestor de campanha Lewandowski.

A campanha de Trump anunciou esta quarta-feira igualmente que vai apresentar na sexta-feira os primeiros anúncios de televisão, que serão emitidos nos Estados da Florida, Ohio, Carolina do Norte e Pensilvânia, ou seja, nos chamados "swing states", Estados que não têm uma tendência de voto definida e que podem decidir uma eleição.

Estas mudanças acontecem a menos de três meses das eleições presidenciais de 08 de novembro e estão a ser interpretadas como uma resposta de Trump à queda da sua candidatura nas sondagens de intenções de voto, tanto a nível nacional como em vários Estados-chave, mas também às várias polémicas que têm marcado as últimas semanas de campanha.