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Manuel Valls apoia proibição do “burkini” em França

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Uma "moda" a censurar

FETHI BELAID / AFP

Há quem defenda que França podia ter-se poupado a esta “guerra” que está a espalhar-se pelas praias do país

Cristina Peres

Cristina Peres

Jornalista de Internacional

“Compreender” e “apoiar” foram os termos usados pelo primeiro-ministro francês relativamente aos presidentes da câmara de alguns municípios de França que proibiram o uso de “burkini”, numa entrevista dada esta quarta-feira ao diário “La Provence”. Os argumentos para a interdição prendem-se com o facto de estes “não serem compatíveis com os valores de França e da República”. Ainda assim, Manuel Valls recusa-se a legislar nesta matéria, reporta o diário “Le Monde”.

Bikini ou “burkini”? Não é de espantar que seja França a insistir neste tipo de polémicas depois de ter banido o uso do véu. Desta vez, o assunto nasceu na Riviera francesa, a poucos quilómetros de Nice. Desde 13 de agosto que um tribunal confirmou a proibição de uso de “burkini” em Cannes, localidade que foi seguida por Villeneuve-Loubet, perto de Nice, e Sisco, na Córsega.

O debate está a aquecer desde que três mulheres foram multadas por usarem o fato de banho que cobre o corpo todo e a cabeça em quantias equivalentes a €38. Tinham 29, 32 e 57 anos e aconteceu nas praias de Cannes.
O chefe da edilidade de Cannes, David Lisnard, justificou-se da seguinte maneira: “O 'burkini' é como um uniforme, um símbolo do extremismo islamita. É por isso que será banido neste verão”, disse, citado pela BBC.

A medida é considerada “preventiva” e o primeiro-ministro argumentou do seguinte modo: “As praias, como todos os espaços públicos, devem ser preservadas das reivindicações religiosas. O 'burkini' não é uma nova linha de fatos de banho, uma moda. É a tradução de um projeto político, de contra-sociedade, fundado nomeadamente na subserviência da mulher”. O pressuposto do burkini de que as mulheres são, por natureza, impúdicas e impuras e que deveriam estar totalmente cobertas não é “compatível com os valores de França e da República”, segundo Valls, a República “deve defender-se”, cita o “Le Monde”.