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Eduardo dos Santos exorta MPLA a assumir erros do passado para ganhar eleições

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STEPHANE DE SAKUTIN / AFP / Getty Images

“Os erros deverão ficar no passado e servir de critério para corrigirmos o presente e projetarmos o futuro. Só não erra quem não trabalha, mas o MPLA trabalha e faz, e o povo sabe. E está sempre empenhado em fazer mais e melhor”, afirmou o líder angolano no discurso de abertura do VII congresso do partido, em Luanda, perante mais de 2500 delegados

O presidente do MPLA José Eduardo dos Santos afirma que o partido está preparado para "ganhar as próximas eleições" em Angola, assumindo que os "erros" de gestão devem ser "corrigidos" e criticando os empresários que enriquecem "ilicitamente".

O líder do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), no poder desde 1975 e também chefe de Estado, preferiu estas declarações quando discursava esta manhã na sessão de abertura do VII congresso do partido, em Luanda, perante mais de 2500 delegados. O congresso decorre até este sábado e prevê a reeleição de José Eduardo dos Santos, candidato único ao cargo de presidente do partido, e a confirmação da nova composição do Comité Central.

"Devemos olhar para trás e analisar o que fizemos com o necessário sentido de crítica e autocrítica, para constatarmos o que não foi bem feito. Os erros deverão ficar no passado e servir de critério para corrigirmos o presente e projetarmos o futuro. Só não erra quem não trabalha, mas o MPLA trabalha e faz, e o povo sabe. E está sempre empenhado em fazer mais e melhor", afirmou.

Numa intervenção de 35 minutos, em que assumiu o "momento crucial" que Angola vive devido à crise financeira e económica provocada pela quebra nas receitas petrolíferas, o líder do MPLA – que ainda não esclareceu se é candidato às eleições gerais de 2017 depois de ter anunciado a saída da vida política ativa em 2018 – garantiu que o partido está em condições para continuar no poder.

"Mostrar que este MPLA é o grande partido da família angolana. Ele está assim preparado para o combate político, para ganhar as próximas eleições e para continuar a governar a República de Angola, correspondendo aos anseios das populações", afirmou.

"Não devemos permitir que as nossas diferenças políticas sejam aproveitadas por forças externas para dividir e pôr em causa a paz duramente conquistada. Temos de ser capazes de prevenir eventuais ações subversivas, para manter a nossa soberania, a paz e a estabilidade, reforçar a nossa democracia e trabalhando no sentido de fazer prosperar a nação angolana", disse, aludindo à atual conjuntura internacional.

Destacou ainda que o futuro do país passa pela diversificação da economia, assente nas receitas com a exportação de petróleo, mas também por deixar de depender "excessivamente" das importações, apelando à "criatividade" dos empresários nacionais. "Há que apoiar mais os empresários com provas dadas em eficácia, responsabilidade e mais comprometidos com o futuro do país. Portanto, bons patriotas. Apoiar também os empresários que sabem realizar licitamente os seus negócios no mercado interno e externo, para conquistarem riqueza e contribuíram para aumentar o emprego e fazer crescer a economia", afirmou.

Perante um forte aplauso da sala, José Eduardo dos Santos avisou: "Não devemos confundir estes empresários com os supostos empresários que constituem ilicitamente as suas riquezas, recebendo comissões a troco de serviços que prestam ilegalmente a empresários estrangeiros desonestos, ou que façam essas fortunas à custa de bens desviados do Estado ou mesmo roubados".

"Angola não precisa destes falsos empresários, que só contribuem para a sua dependência económica e política de círculos externos", acrescentou.

Durante a intervenção, o Presidente referiu-se também ao "luto" nas famílias angolanas provocado pela febre-amarela, que já afetou quase 4000 pessoas, para justificar a necessidade de vacinação da população, assumindo que é preciso reduzir a alta taxa de mortalidade infantil no país.

José Eduardo dos Santos apontou igualmente como objetivo o alargamento a todo o país do novo modelo de limpeza de Luanda, que entrou em vigor em abril e que prevê a cobrança de taxas por residência.