Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Autoridades brasileiras mandam apreender passaporte de nadadores dos EUA

  • 333

Ryan Lochte venceu a medalha de ouro na prova por equipas no Rio

Clive Rose/ Getty

Quatro atletas da equipa norte-americana de natação foram alegadamente assaltados à mão armada. O caso está a ser investigado e têm sido levantadas dúvidas quanto aos contornos do incidente. Agora, a polícia proibiu a saída de Ryan Lochte e James Feigen do Brasil. Mas ao que parece, a ordem já não chegou a tempo

As autoridades brasileiras emitiram uma ordem judicial para proibir a saída de Ryan Lochte e James Feigen do Brasil. Os dois nadadores norte-americanos foram alegadamente assaltados à mão armada, mas por persistirem dúvidas quanto ao incidente e a polícia quer falar com os dois atletas. No entanto, pelo menos Lochte já regressou a casa na segunda-feira.

“Partiu para os Estados Unidos da América tal como estava previsto depois de completar a sua participação [nos Jogos]. As autoridades brasileiras não lhe pediram para permanecer no país enquanto decorre a investigação”, disse Jeff Ostrow, advogado de Ryan Lochte, citado pela CNN. “Se tivessem pedido, teria ficado. Ainda não entraram em contacto para esclarecimentos adicionais”, acrescentou.

A defesa fez questão ainda de sublinhar que o Brasil se encontra “debaixo de uma nuvem negra por mais de mil e uma razões”. “Desde a sua economia ao crime, passando pela forma como geriram os Olímpicos”, acrescentou o advogado, citado pelo “New York Times”.

Quanto a James Feigen, não é claro se ainda está no Brasil.

Foi no passado domingo que as primeiras notícias começaram a surgir: quatro nadadores da equipa olímpica norte-americana teriam sido assaltados num táxi. Além de Lochte e Feigen, também Jack Conger e Gunnar Bentz estariam envolvidos.

Após saírem de uma festa na Casa de França, o grupo foi alegadamente abordado pelos assaltantes, que começaram por se identificar como agentes da polícia. “Tiraram as armas, mandaram-nos deitar no chão, mas eu recusei”, descreveu Ryan Lochte à NBC, acrescentando que teve uma arma apontada à testa.

Instagram

Até agora, não foram encontradas provas que corroborem a história dos atletas. Aliás, o tabloide “Daily Mail” publicou um vídeo (cuja a veracidade não está confirmada) em que mostra os quatro norte-americanos depois a festa.

“Conseguimos ver as supostas vítimas a chegarem sem sinais de terem sido ameaçadas fisicamente ou psicologicamente, até estão a fazer piadas uns com os outros”, defendeu a juíza brasileira Keyla Blanc De Cnop.

Segundo a Globo, as imagens divulgadas contradizem a versão dos atletas. A imprensa brasileira, citando fonte da investigação, refere que uma das hipóteses é que o falso depoimento foi dado com o objetivo enganar uma pessoa próxima a um dos atletas. E o caso só terá sido tornado público porque a mãe de Lochte contou o sucedido a um órgão de comunicação dos EUA.

Na sequência de toda a desconfiança sobre o que terá realmente acontecido na noite do passado domingo, a juíza Keyla Blanc De Cnop emitiu, esta quarta-feira, mandados de busca e apreensão dos passaportes de Ryan Lochte e James Feigen (os únicos que prestaram declarações à polícia após o alegado assalto), medida que obrigaria ambos a permanecerem no Brasil.

Quando as autoridades chegaram à Aldeia Olímpica já não os encontraram. “A equipa de natação saiu daqui quando a competição acabou, por isso não podemos disponibilizar estes atletas. Além disso, como parte dos nossos procedimentos de segurança, não tornamos públicos os planos de viagem ou podemos confirmar a localização dos nossos atletas”, informou Patrick Sandusky, porta-voz da equipa olímpica norte-americana.

A polémica está instalada: por um lado, as autoridades brasileiras desconfiam da história contada pelos quatro nadadores; por outro, as acusações de que o Brasil se sente envergonhado com que se tem passado nos Jogos e tentam “abafar” os incidentes.