Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Pentágono anuncia transferência de mais 15 reclusos de Guantánamo

  • 333

Lucas Jackson / Reuters

É a maior transferência, realizada de uma só vez, durante a governação de Barack Obama, que há anos tenta cumprir a promessa de encerrar o centro de detenção em Cuba

O Pentágono anunciou esta terça-feira a transferência de 15 detidos da prisão militar de Guantánamo (Cuba) para os Emirados Árabes Unidos. Trata-se da maior saída de presos aprovada pelo governo de Barack Obama, e um passo importante para que o Presidente norte-americano consiga, até ao final do seu mandato, em janeiro, retirar de Guantánamo todos os detidos com autorização para o efeito.

Já o encerramento da prisão – uma velha promessa de Obama – parece difícil de concretizar, sobretudo depois de o Congresso ter rejeitado a transferência dos réus considerados demasiado perigosos.

Com o envio de 12 iemnitas e três afegãos para os Emirados Árabes Unidos, baixa para 61 o total de reclusos em Guantánamo. Vinte têm também autorização para sair, mas isso requer que um terceiro país aceite acolhê-los.

Aberta em 2002, durante a governação de George W. Bush, para acolher suspeitos de ligações à Al-Qaeda ou ao movimento talibã, a prisão tornou-se um símbolo dos abusos em nome da guerra aberta contra o terrorismo após os atentados de 11 de setembro, com a maioria dos réus sem conhecerem nunca qualquer acusação formal.

Desde que chegou à presidência dos EUA, em 2009, Obama luta pelo encerramento de Guantánamo, medida que defende pelo respeito aos direitos humanos e por motivos económicos. Mas a sua determinação tem esbarrado no Congresso, onde a maioria republicana tem recusado sistematicamente as propostas apresentadas, a última das quais em fevereiro.

Perante a recusa em mudar a lei, o que permitiria a transferência de todos os detidos, a Obama restaria recorrer a uma aprovação unilateral, decretando o fecho da prisão em Cuba, mas tal é visto como uma “delicada manobra legal e política”, como recorda o jornal “El País”.

“A continuidade de Guantánamo enfraquece a nossa segurança nacional, absorvendo recursos, afetando a nossa relação com aliados e parceiros e encoraja extremistas violentos”, afirmou Lee Wolosky, o enviado especial do Departamento de Estado norte-americano para o encerramento da prisão, citado pela agência AP.

No total, 780 reclusos passaram por Guantánamo.

Após o anúncio de mais esta transferência de presos, o candidato republicano à Casa Branca, Donald Trump prometeu - caso vença - manter aberto o centro de detenção.