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A triste história do elefante que passou 48 dias nas águas do Bramaputra

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Bangabahadur foi arrastado pelas águas em fúria do Bramaputra durante pelo menos 48 dias. Morreu de cansaço, desidratação e subnutrição

STR/EPA

O Bramaputra é grande. Nasce no Tibete, atravessa três países e desagua no Ganges, as águas sagradas do hinduísmo. A monção que por ali passa nesta altura do ano pode ter efeitos devastadores para os animais que vivem no seu leito. Nem os elefantes escapam à fúria das águas

Se gosta de pegadas de dinossauros vai gostar de saber qual foi o destino do elefante indiano que navegou às ordens da corrente do rio Bamaputra durante [pelo menos] 48 dias. E vai perguntar a si próprio como é que um elefante – que é o animal de maior porte que atualmente vive no nosso planeta – navega às ordens da força das águas.

O nosso elefante foi forçado a fazer uma viagem de 1700 quilómetros que começou com a subida das águas do rio Bamaputra, algures na zona em que este atravessa o estado de Assam no nordeste da Índia. A subida deve ter sido tão rápida e tão feroz que arrastou culturas e animais... incluindo este elefante adulto.

Sabemos que os elefantes africanos são maiores que os elefantes indianos, mas um elefante asiático pesa no mínimo quatro toneladas; quatro toneladas significa uma carga viva em movimento de quatro mil quilos a ser arrastada pela fúria do Bamaputra.

O elefante seguiu o curso do rio e passou a fronteira da Índia com o Bangladesh; o departamento de Conservação da Vida Selvagem deste país acompanhou o seu percurso ao longo de 48 dias e mobilizou “pelo menos dez guardas florestais para cumprirem a tarefa”, disse à agência France Press o responsável da área Ashit Ranjan Paul. Também houve “veterinários” a seguirem o percurso do animal que os indianos antigos utilizavam para combate na guerra.

O herói que perdeu a força

Num determinado ponto da viagem, a população local batizou-o com o nome de “Bangabahadur, que significa herói de Bengala”, escreve a BBC.

Arrastado pelas águas, Bangabahadur deixou de poder procurar vegetais e gramíneas em quantidade suficiente para alimentar o seu imenso corpo e foi ficando fraco. Os responsáveis pela proteção animal tentaram transportá-lo para um parque safari e administraram-lhe várias doses de tranquilizante.

A operação de resgate correu mal, Bangabahadur caiu numa lagoa mas ainda foi salvo com a imensa ajuda da população local. No fim, o cansaço da viagem e o stress da viagem fizeram-no ter um “ataque cardíaco”, disse o veterinário Mustafizur Rahman a um jornal local. Tal como acontece com os humanos, a desidratação e desequilíbrio eletrolítico terão contribuído para este triste desfecho do herói de Bengala.

Todos os anos, na época da monção, as inundações levam milhares de animais a procurar as zonas mais altas da fronteira nordeste da Índia com o Bangladesh. Mas cada vez há menos áreas seguras para eles poderem escapar. .