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Em Manbij, celebra-se expulsão dos jiadistas com cigarros e abraços

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RODI SAID/REUTERS

A expulsão dos jiadistas de Manbij, no norte da Síria, permitirá bloquear o canal que liga Raqqa, “capital” do Estado Islâmico, e a Turquia

Helena Bento

Jornalista

Uma mulher a abraçar uma combatente das Forças Democráticas Sírias. Um homem, eufórico, de tesoura na mão, a cortar a barba que lhe oculta o queixo. Uma mulher, com rugas, rosto muito envelhecido, a sorrir, com um cigarro aceso nos lábios. As imagens mostram a felicidade de quem viveu durante dois anos sob o controlo dos jiadistas do autoproclamado Estado Islâmico, em Manbij, norte da Síria, e viu-se finalmente livre do grupo terrorista. “Sinto alegria, parece um sonho. Estou a sonhar, não acredito. As coisas que eu vi, ninguém viu” gritava uma mulher, antes de cair desmaiada no chão.

Foram tempos de grande repressão e violência para a população de Manbij, na província de Alepo. Proibidos pelos jiadistas de fumar, ouvir música ou não usar a burka ou o niqab - no caso das mulheres -, e sendo constantemente perseguidos e alvo de agressões, os residentes viviam tentando manter-se invisíveis, acanhados pelo medo.

Mas no sábado, os combatentes do autoproclamado Estado Islâmico foram finalmente expulsos pelas Forças Democráticas Sírias (SDF na sigla inglesa), uma coligação de curdos e árabes apoiada pelos Estados Unidos, que controlam agora a cidade. A informação foi confirmada por Nasser Haj Mansour, um dos membros da coligação, que informou também que decorrem as operações para tentar encontrar jiadistas que não tenham ainda abandonado a cidade.

A população festejou desinibida: as fotografias e os vídeos divulgados mostram mulheres a despir os seus véus e a queimá-los nas ruas. “Vocês são os nossos filhos, os nossos heróis, são o sangue no nosso coração, são os nossos olhos”, dizia uma mulher a um dos militares.

RODI SAID/EPA

De acordo com o Observatório Sírio para os Direitos Humanos, a ocupação de Manbij pelos jiadistas resultou na morte de cerca de 450 civis, quase 300 combatentes das Forças Democráticas Sírias e mais de mil homens do autoproclamado Estado Islâmico. Das dezenas de milhares de pessoas que viviam na cidade antes da ofensiva do Estado Islâmico, mais de 78 mil estão deslocadas, segundo números das Nações Unidas.

RODI SAID/EPA

O combate pela recuperação de Manbij teve início em junho. Enfrentando, inicialmente, algumas dificuldades que atrasaram o avanço sobre a cidade, os militares da coligação apoiada pelos Estados Unidos foram ganhando terreno aos poucos e, na semana passada, tinham já anunciado a reconquista de 90% do território controlado. Além da importância simbólica, a expulsão dos jiadistas tem um importante peso estratégico, uma vez que permitirá bloquear o canal entre Raqqa, “capital” do Estado Islâmico, e a Turquia, de onde chegam armas e extremistas prontos a integrar as fileiras do grupo terrorista.