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A reaparição de Fidel

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MARCELO GARCIA / AFP / Getty Images

Passados cerca de quatro meses desde a última aparição pública, e no dia em que celebrava 90 anos, Fidel Castro reapareceu no teatro Karl Marx em Havana. Comemorou, retribuiu e assinalou a data com um artigo publicado este sábado na imprensa estatal cubana, onde os Estados Unidos foram o principal alvo de críticas

Sentado na primeira fila do teatro Karl Marx, em Havana, estava El Comandante de Cuba. Vestido com um casaco desportivo branco e calças cinzentas, o pai da revolução cubana fazia-se acompanhar pelo irmão mais novo, Raúl, e pelo seu aliado e Presidente venezuelano, Nicolás Maduro. Os três assistiam na tarde deste sábado a uma gala organizada por uma companhia de teatro, após a receção calorosa do antigo líder cubano quando entrou na sala: “Fidel, Fidel, Fidel”, gritaram as pessoas. Era o dia em que comemorava 90 anos.

Concertos, bailes e um ambiente festivo deixaram este sábado a sua marca em Cuba. E também Castro quis celebrar este dia com um artigo publicado na imprensa estatal. “El Cumpleaños” (“O Aniversário”) não é apenas uma comemoração de 90 anos vividos, mas também uma crítica ao grande inimigo histórico do país: os Estados Unidos (EUA).

Primeiro, os agradecimentos: “Quero expressar a minha mais profunda gratidão pelas demonstrações de respeito, as saudações e as ofertas que recebi durante estes dias, que me dão forças para retribuir através das ideias”, escreveu o antigo líder, substituído pelo irmão Raúl Castro em 2008, na sequência de um problema de saúde que o deixou às portas da morte.

Depois, vieram as críticas contra os norte-americanos. Além de referir a rivalidade histórica entre Cuba e os EUA (e de acusar o país de o ter tentado assassinar repetidas vezes), Fidel olhou para o presente. E criticou Barack Obama pelo discurso proferido em maio em Hiroxima, a cidade japonesa que foi alvo do primeiro bombardeamento atómico do mundo no final da Segunda Grande Guerra.

“Considero que lhe faltaram palavras para pedir desculpa pela morte de centenas de milhares de pessoas em Hiroxima, apesar de conhecer os efeitos da bomba”, assinalou.