Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Abuso sexual de crianças e mulheres em campos de refugiados na Grécia

  • 333

Elisabete Maisão

Alto Comissariado da ONU para os Refugiados diz ter conhecimento de casos de violação. Governo grego desmente e fala em “crimes menores”

Helena Bento

Jornalista

Depois de na passada quarta-feira ter divulgado documentos que denunciam a prática de abusos sexuais contra refugiados menores num centro de asilo australiano, o britânico “The Guardian” publica este sábado um artigo sobre a violência sexual de que têm sido alvo crianças e mulheres em centro de refugiados na Grécia.

“Estas revelações deveriam envergonhar-nos a todos", afirmou a deputada trabalhista Yvette Cooper, que lidera o grupo de trabalho do Partido Trabalhista britânico para os refugiados.

Gerido pelo Governo grego, o centro de refugiados que funciona nas instalações de uma antiga fábrica da Softex, perto da cidade de Salónica, é referido pelo “The Guardian” como sendo um dos campos onde foram registados abusos sexuais. O risco de violação é ali tão elevado que as mulheres têm medo de se deslocar sozinhas, à noite, às casas de banho, refere o jornal britânico. O campo alberga 1400 refugiados, na sua maioria sírios.

Um voluntário que ali trabalha, e que não quis identificar-se, disse que algumas jovens foram, de facto, aliciadas por “gangues”. Uma família iraquiana teve, inclusive, de ser transferida para outras instalações, depois de a filha ter sido atacada, revelou o voluntário. “Os pais ainda não conseguem acreditar no que aconteceu. Um dos homens desse 'gangue' chamou a sua filha, de sete anos, à tenda. Disse-lhe para ficar ali a jogar no telemóvel e depois fez deslizar o fecho. Quando a criança saiu tinha marcas nos seus braços e no pescoço. Mais tarde, contou que tinha sido abusada sexualmente”, revelou ainda o voluntário. Por causa destes incidentes, muitas famílias, amedrontadas, ponderam agora desistir do sonho de ter uma vida melhor na Europa.

Mas os relatos de abusos sexuais não se cingem a este campo perto de Salónica. Anita Dullard, da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, tem chamado a atenção para o aumento de incidentes desta natureza noutros campos de refugiados do país. O Governo grego já terá sido alertado e os casos de violência contra mulheres e crianças reencaminhados para as Nações Unidas.

O gabinete do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados garante ter já mostrado “preoocupação” perante as autoridades gregas. “O Alto Comissariado tem revelado grande preocupação em relação a este assunto. O campo para refugiados [na fábrica da Softex] não é seguro para mulheres e crianças. A nossa posição oficial é esta. A questão da segurança tem estado em cima. Isto é um problema que temos estado a discutir.”

Já o coordenador do Governo grego para a crise dos refugiados, Giorgos Kyritsis, nega ter conhecimento de qualquer caso de violação naquele centro, onde, garante, apenas se têm registado “crimes menores”.