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“Panama Papers” forçam eleições antecipadas na Islândia

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Sigmundur Davíð Gunnlaugsson foi forçado a demitir-se em abril, na sequência da polémica dos “Panama Papers”

HALLDOR KOLBEINS / AFP / Getty Images

O atual primeiro-ministro em funções quer antecipar a ida às urnas para 29 de outubro, na sequência do escândalo dos “Panama Papers”, que obrigou à demissão do anterior primeiro-ministro, Davíð Gunnlaugsson

“Pretendemos realizar eleições no dia 29 de outubro”, afirmou o primeiro-ministro da Islândia atualmente em funções, Sig­urður Ingi Jó­hanns­son. “Olhando para a forma como as discussões evoluíram no Parlamento nesta primavera e verão, esperamos que isso aconteça.”

O anúncio surge na sequência de um pedido de Jóhannsson aos líderes dos partidos com representação parlamentar para acordarem a antecipação das eleições em seis meses.

A necessidade de realizar eleições antecipadas está diretamente ligada ao caso dos “Panama Papers”, que, no caso islandês, expuseram situações de evasão fiscal entre a classe política islandesa. Mais de 11 milhões de documentos da sociedade de advogados Mossack Fonseca foram divulgados, expondo a utilização de paraísos fiscais por parte de pessoas e empresas no mundo inteiro.

O caso mais polémico na Islândia foi o do então primeiro-ministro, Davíð Gunnlaugsson, por ter estado envolvido numa empresa offshore, então pertencente à sua mulher, que pode ter sido beneficiada nas negociações do Governo com os credores dos bancos islandeses que faliram na sequência da crise de 2008.

O escândalo provocou grandes protestos nas ruas de Reiquejavique e obrigou Gunnlaugsson a apresentar a demissão em abril. O então primeiro-ministro foi substituído por Sig­urður Ingi Jó­hanns­son.

Em junho foi eleito um novo presidente na Islândia. Gudni Johannesson, na altura um político pouco conhecido, apostou a sua campanha na luta contra o sistema instituído e apelou a reformas profundas no país.