Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Destituição de Cunha só depois de Dilma

  • 333

Michel Temer com Rodrigo Maia, o atual presidente da Câmara dos Deputados

UESLEI MARCELINO

Para alívio do interino Michel Temer, a Câmara dos Deputados só vai votar a destituição do seu ex-presidente Eduardo Cunha a 12 de setembro, quando o processo contra Dilma já estiver concluído. Porém, a Lava-Jato está cada vez mais próxima do Planalto.

Na semana em que se cumprem 300 dias desde o início do processo contra Eduardo Cunha por mentir ao Parlamento sobre contas na Suíça, o atual presidente da Câmara dos Deputados marcou para 12 de setembro a votação do ex-líder parlamentar.

Rodrigo Maia, do DEM, terá cedido às pressões vindas do Palácio do Planalto, a sede do governo interino de Temer, e mais uma vez adiou a destituição de Cunha. A votação para destituir o ex-presidente da Câmara dos Deputados chegou a estar prevista para esta terça-feira, mas Rodrigo Maia decidiu, ao início da noite de ontem, marcá-la só para depois da conclusão do processo de destituição de Dilma Rousseff.

O senado aprovou terça-feira abertura do julgamento contra Dilma. Sem surpresa 59 contra 21 senadores, ignoraram os pareceres do Ministério Público Federal e dos próprios serviços jurídicos do Senado e decidiram que Dilma deverá ser julgada por manobras de desorçamentação. A fase final do julgamento deverá ocorrer a partir de 29 de agosto, mas a data ainda não está fechada.

Alívio momentâneo

O adiamento para setembro da destituição de Eduardo Cunha, considerado dos “arquitetos” do “golpe” contra Dilma, dá um certo alívio ao presidente interino. Aliado de Temer, Cunha é também o político mais odiado e temido do Brasil e controla mais de 200 deputados.

A destituição e a consequente perda de “foro privilegiado” - só pode ser julgado pelo Supremo Tribunal – poderiam levar Cunha a cumprir a promessa de negociar o estatuto de arrependido. Temer adia assim a possibilidade de uma “delação premiada” que não deixaria de lhe explodir na cara, agravando os danos à sua imagem.

Só em quase três meses de interinidade, Michel Temer já foi citado duas vezes no âmbito da Lava Jato. Em junho, o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, revelou que Temer teria pedido 1,5 milhões de reais (cerca de 428 mil euros)para a campanha de um seu pupilo. O mesmo Sérgio Machado cujas denúncias levaram à demissão do ministro Romero Jucá, presidente do PMDB,o partido de Temer.

Temer com 10 milhões da Odebrecht

Igualmente significativa é a revelação feita por Marcelo Odebrecht junto da justiça brasileira de que Temer, em 2014 e então vice-presidente, teria pedido à empreiteira 10 milhões de reais (cerca de 2,8 milhões de euros) para custear campanhas eleitorais.

Segundo o noticiado pela imprensa brasileira no passado fim de semana, 6 milhões teriam ido para Paulo Skaf, presidente da poderosa Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, candidato a governador. O restante teria sido entregue a Eliseu Padilha, o atual Chefe da Casa Civil de Temer.

Apesar da “delação premiada” de Marcelo Odebrecht ainda não ter sido homologada pelo tribunal, a imprensa revelou que a Odebrecth terá dado 23 milhões de reais (6,5 milhões de euros) a José Serra, o atual ministro dos Negócios Estrangeiros e um dos potenciais candidatos presidenciais pelo PSDB. O que leva os analistas a considerar que "a delação que vai abanar a República" não deixará de atingir Michel Temer.

Defesa de Dilma recorre à OEA

Depois de Lula da Silva ter recorrido à ONU por perseguição política, parlamentares do Partido dos Trabalhadores (PT) pediram a proteção da Comissão Interamericana de Direitos Humanos contra o "golpe" que está em curso contra Dilma Rousseff. A iniciativa surgiu pouacas horas depois do senado ter aprovado o julgamento da presidente e inclui o pedido de aplicação de medidas cautelares por parte da Organizaçao de Estados Americanos (OEA) para tentar travar uma destituição "ilegal".