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Senado avança com julgamento de Dilma Rousseff

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ANTONIO LACERDA / EPA

Dos 81 senadores, Dilma precisava do apoio de um mínimo de um terço para regressar à presidência e enterrar já aqui as acusações de manipulação orçamental. Mas apenas 21 — e não 27 — ficaram ao lado da Presidente suspensa na votação desta madrugada

Uma maioria dos senadores brasileiros votou na madrugada desta quarta-feira a favor do julgamento de 'impeachment' da Presidente suspensa, Dilma Rousseff, que é acusada de ter quebrado a lei orçamental e cometido “crimes de responsabilidade”, ao ter aplicado manobras fiscais para melhorar as contas públicas antes das presidenciais de 2014 e assinado decretos que autorizavam despesas não previstas no Orçamento que o Congresso aprovou.

Para evitar o dito julgamento, a líder, do Partido dos Trabalhadores (PT), precisava do apoio de pelo menos 27 dos 81 senadores, mas apenas 21 votaram contra o avanço do processo que os seus apoiantes dizem ser um golpe liderado nos bastidores pelo seu vice-presidente tornado Presidente interino, Michel Temer, e pelo ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, ambos do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB).

Ao inaugurar o debate na terça à noite, o presidente do Supremo, Ricardo Lewandowski, avisou os senadores de que estão prestes a "exercer uma das mais sérias tarefas previstas na Constituição". Após uma maratona de várias horas, que terminou esta madrugada, os membros da câmara alta do Congresso aprovaram o início de um julgamento no Senado, presidido pelo juíz-chefe do Supremo, pelo que Dilma diz serem práticas comuns de anteriores presidências.

O caso levou à suspensão temporária da Presidente em maio, que será agora alvo de um processo final na semana a seguir à cerimónia de encerramento dos Jogos Olímpicos, marcada para 21 de agosto. Para não ser afastada de vez da presidência nem ficar impedida de ocupar quaisquer cargos públicos nos próximos anos, precisará do apoio de uma maioria de dois terços dos senadores na última votação após o julgamento.

Ao contrário de muitos outros políticos — entre eles Eduardo Cunha, que decidiu renunciar à presidência da Câmara dos Deputados após ter visto o seu mandato de deputado federal suspenso, e vários membros do PT da Presidente — Dilma não está envolvida no enorme escândalo de corrupção na petrolífera estatal Petrobras e diz estar a ser vítima de um golpe pelos seus opositores. Se for removida da presidência do Brasil, o seu substituto ficará na liderança interina do país até às próximas eleições presidenciais, que acontecem em 2018.