Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Irão intensifica repressão de ativistas pelos direitos das mulheres

  • 333

MULHERES. O novo Parlamento terá, pelo menos, 14 deputadas, mais cinco do que na Assembleia atual

ABEDIN TAHERKENAREH / EPA

Amnistia Internacional diz que mais de uma dúzia de defensores e defensoras dos direitos das mulheres foram detidos e sujeitos a duros interrogatórios na primeira metade deste ano, denunciando que a poderosa Guarda Revolucionária está a tratá-los cada vez mais como "inimigos do Estado"

As autoridades iranianas estão a intensificar a campanha de perseguição e repressão de ativistas pelos direitos das mulheres, tratando-as como "inimigos do Estado", com registos de que pelo 12 foram detidos e interrogados na primeira metade deste ano.

Num relatório divulgado esta quarta-feira, a Amnistia Internacional diz que o regime iraniano está a lidar com iniciativas coletivas relacionadas com os direitos das mulheres e a igualdade de género como "atividades criminosas", revelando que entre janeiro e julho mais de uma dúzida de ativistas foi sujeita a longos e intensivos interrogatórios por membros da poderosa Guarda Revolucionária, sendo ameaçadas de prisão com base em acusações de ameaças à segurança nacional.

Muitos dos detidos e detidas estão envolvidos numa campanha lançada em outubro de 2015 por uma maior representação feminina nas eleições parlamentares disputadas em fevereiro deste ano, que viram um número recorde de mulheres serem eleitas deputadas. A investigação da Amnistia focou-se nas reações das autoridades conservadoras do Irão a essa e a uma outra iniciativa, um website chamado "Escola Feminista" onde são publicados artigos sobre teorias e práticas feministas e sobre o estado dos direitos das mulheres no país e a nível global.

De acordo com os investigadores, as ativistas detidas não foram autorizadas a ter os seus advogados presentes durante os interrogatórios, que nalguns casos duraram mais de oito horas consecutivas. A par disso, a organização não-governamental recolheu testemunhos que comprovam que os próprios membros da Guarda Revolucionária têm como prática regular a sujeição de mulheres a abusos verbais.

"É completamente vergonhoso que as autoridades iranianas estejam a ameaçar ativistas pacíficos que lutam pela participação igualitária das mulheres em organismos decisores, tratando-os como inimigos do Estado", diz Magdalena Mughrabi, vice-diretora interina do programa da Amnistia para o Médio Oriente e o Norte de África. "Manifestações a favor da igualdade das mulheres não é um crime. Exigimos um fim imediato a esta campanha intensificada de assédio e intimidação, que representa mais um golpe nos direitos das mulheres no Irão."