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Internacional

EUA vão vender equipamento militar no valor de mil milhões de euros à Arábia Saudita

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Aprovação de novo acordo de armas coincide com anúncio da retomada da campanha aérea saudita contra rebeldes do Iémen, com balanço de pelo menos 14 mortos na capital do país

Os Estados Unidos aprovaram na terça-feira a venda à Arábia Saudita de até 153 veículos de combate, centenas de metralhadoras e outros equipamentos militares num acordo que totaliza 1,15 mil milhões de dólares (cerca de mil milhões de euros).

O anúncio coincidiu com notícias de que a coligação liderada pelos sauditas retomou os ataques aéreos contra os rebeldes na capital do Iémen, Sana, pela primeira vez em três meses, matando 14 pessoas e encerrando o aeroporto após a suspensão das negociações de paz mediadas pela ONU.

Reagindo ao balanço de mortos nos bombardeamentos de terça-feira, a porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, Elizabeth Trudeau, disse estar "muito preocupada" mas escusou-se a comentar se a administração dos EUA está preocupada com a possibilidade de as armas que vai vender aos sauditas serem usadas contra civis. "Mantemos conversas regulares com os nossos parceiros e aliados em todo o mundo e as baixas de civis são obviamente uma grande preocupação nossa", declarou aos jornalistas.

De acordo com a Agência de Cooperação de Segurança e Defesa (DSCA, na sigla inglesa), foi Riade que sondou Washington sobre a possibilidade de comprar até 133 tanques americanos M1A1/A2 Abrams para além de outros 20 para substituir os veículos de combate da sua frota que ficaram danificados. O acordo de venda e compra de armas aprovado pelos EUA inclui ainda 153 metralhadoras calibre .50, 266 M240, lançadores de granadas de fumo, veículos blindados de recuperação e uma série de outros equipamentos militares.

Após a aprovação da "possível" venda pelo Departamento de Estado, o Congresso tem agora 30 dias para bloquear o negócio, um passo improvável. "Esta venda vai contribuir para a segurança nacional dos EUA e a política externa ao ajudar a melhorar a srgurança de um parceiro regional estratégico que tem sido e continua a ser um grande contribuidor para a estabilidade política e o progresso económico no Médio Oriente", disse a DSCA em comunicado.

Em novembro, os EUA já tinham aprovado um acordo de 1,29 mil milhões de dólares (1,15 mil milhões de euros) para reabastecer o arsenal da Força Aérea saudita ao final de oito meses de campanha armada no Iémen.

No anúncio do novo acordo de armas, o Pentágono não fez qualquer menção ao conflito em curso naquele país, onde a coligação liderada pela Arábia Saudita está a intervir desde março do ano passado após rebeldes xiitas huthi e forças leais ao ex-Presidente, Ali Abdullah Saleh, terem tomado a capital.

De acordo com a ONU, mais de 6400 pessoas, na sua maioria civis, já morreram desde que os sauditas começaram a bombardear o território iemenita há mais de um ano. A campanha já levou também a que 2,8 milhões de pessoas fugissem das suas casas, deixando mais de 80% da população vulnerável e em urgente necessidade de ajuda humanitária.